Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Com relação ao trauma abdominal fechado, assinale a alternativa que apresenta situações em que está indicada a laparatomia.
No trauma abdominal fechado, peritonite, pneumoperitôneo, hérnia diafragmática e hipotensão persistente com foco abdominal indicam laparotomia.
A laparotomia exploradora é indicada no trauma abdominal fechado em situações de instabilidade hemodinâmica persistente com evidência de sangramento abdominal, sinais de peritonite, pneumoperitôneo ou suspeita de lesão de víscera oca. Lesões de órgãos sólidos de baixo grau ou lesões de bexiga extraperitoneal podem ser manejadas conservadoramente se o paciente estiver estável.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em acidentes automobilísticos e quedas. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização hemodinâmica e identificação de lesões com risco de vida. A decisão de realizar uma laparotomia é crítica e baseia-se na avaliação clínica, exames complementares e estabilidade do paciente. As indicações para laparotomia exploradora no trauma abdominal fechado incluem instabilidade hemodinâmica persistente com evidência de sangramento intra-abdominal (detectado por FAST positivo ou lavado peritoneal diagnóstico), sinais de peritonite (indicando perfuração de víscera oca ou extravasamento de conteúdo intestinal), pneumoperitôneo (sugestivo de perfuração de víscera oca), evisceração e suspeita de lesão diafragmática. A hérnia diafragmática traumática, embora rara, é uma indicação de laparotomia devido ao risco de encarceramento e estrangulamento de vísceras. É importante diferenciar essas indicações de situações que permitem manejo não operatório, como lesões de órgãos sólidos de baixo grau (fígado, baço, rim) em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite. A lesão de bexiga extraperitoneal, por exemplo, pode ser tratada com drenagem vesical, enquanto a intraperitoneal requer reparo cirúrgico. O conhecimento dessas indicações é fundamental para o residente na tomada de decisão rápida e eficaz no pronto-socorro.
As indicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica com evidência de sangramento intra-abdominal, sinais de peritonite (rigidez, dor à descompressão), pneumoperitôneo, evisceração, lesão diafragmática suspeita, lesão de víscera oca e lesão vascular maior.
A hipotensão persistente, mesmo após a administração de fluidos, com evidência de sangramento abdominal (detectado por FAST ou lavado peritoneal diagnóstico positivo), sugere uma hemorragia ativa e não controlada. Nesses casos, a laparotomia é essencial para identificar e controlar a fonte do sangramento e evitar o choque irreversível.
Lesões de órgãos sólidos como fígado, baço e rim de baixo grau (graus I a III, e ocasionalmente IV) podem ser manejadas de forma não operatória em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e sem evidência de lesão de víscera oca. Lesões de bexiga extraperitoneal também podem ser tratadas conservadoramente com drenagem vesical.
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