Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Uma mulher de quarenta anos de idade compareceu, por meios próprios, ao pronto-socorro, alegando ter sido agredida pelo marido há quinze minutos. A paciente informou que tinha recebido socos na face e havia sido empurrada ao chão, onde seu abdome fora chutado por diversas vezes. Seus dados de avaliação inicial eram os seguintes: vias aéreas pérvias; sem colar cervical; paciente eupneica; expansibilidade torácica preservada e simétrica; murmúrio vesicular presente bilateralmente; paciente consciente e corada; frequência cardíaca de 92 bpm; pulso radial amplo e cheio; tempo de enchimento capilar de 2 segundos; escala de coma de Glasgow 15; pupilas isocóricas e fotorreagentes; escoriações e equimoses na face e nos membros superiores. Durante a avaliação secundária, seu abdome era flácido e indolor e não havia sinais de peritonite. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta a respeito da investigação diagnóstica no trauma abdominal fechado nesse caso.
Exame físico abdominal normal não exclui lesões graves em trauma fechado; TC é padrão-ouro, mas lesões de vísceras ocas podem ser tardias.
O exame físico abdominal tem baixa sensibilidade para lesões intra-abdominais em trauma fechado. A TC é o melhor exame de imagem, mas lesões de vísceras ocas ou de diafragma podem não ser visíveis inicialmente, exigindo reavaliação ou exames seriados.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbidade e mortalidade em pacientes traumatizados, e sua investigação diagnóstica exige uma abordagem sistemática. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A particularidade do trauma abdominal fechado é a dificuldade em diagnosticar lesões internas, que podem não se manifestar clinicamente de imediato, mesmo com mecanismos de trauma de alto impacto. A fisiopatologia das lesões em trauma fechado envolve forças de compressão, cisalhamento e desaceleração, que podem afetar órgãos sólidos (fígado, baço, rins), vísceras ocas (intestino, estômago) e estruturas vasculares. O exame físico abdominal, embora fundamental, possui baixa sensibilidade e especificidade para detectar lesões significativas, especialmente em pacientes com lesões distrativas, alteração do nível de consciência ou sob efeito de álcool/drogas. A ausência de dor ou peritonite não exclui lesões graves. A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o método de imagem de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de trauma abdominal fechado, oferecendo alta sensibilidade para lesões de órgãos sólidos e retroperitônio. No entanto, é crucial entender que a TC pode ter limitações na detecção de lesões de vísceras ocas ou diafragmáticas, que podem se manifestar tardiamente. Nesses casos, a observação clínica seriada e a repetição de exames, se houver piora, são indispensáveis. A ultrassonografia FAST é útil como triagem inicial para líquido livre, mas não exclui lesões.
O exame físico abdominal tem baixa sensibilidade e especificidade para detectar lesões intra-abdominais significativas no trauma fechado, especialmente em pacientes com alteração do nível de consciência, lesões distrativas ou sob efeito de substâncias.
A TC é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de lesão intra-abdominal (dor, equimoses, mecanismo de alto impacto, exame físico duvidoso) para identificar e graduar lesões de órgãos sólidos e avaliar o retroperitônio.
Lesões de vísceras ocas (intestino delgado, cólon), lesões diafragmáticas e algumas lesões pancreáticas podem ser sutis ou não visíveis na TC inicial, exigindo reavaliação clínica ou exames adicionais.
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