Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um jovem de dezoito anos de idade deu entrada no serviço de emergência após ter sido vítima de colisão bicicleta x anteparo fixo. Negou TCE ou perda da consciência. Recebeu atendimento em sala de trauma, seguindo os preceitos determinados pelo Advanced Trauma Life Support, além de monitorização e acesso venoso calibroso. A via aérea apresentava-se pérvia, tendo sido instalada máscara de oxigênio. O exame físico do aparelho respiratório mostrou tórax com expansão simétrica e ausculta normal. A avaliação do sistema circulatório revelou uma frequência cardíaca de 90 bpm e uma pressão arterial de 110 x 60 mmHg. Ao exame neurológico, ECG 15 e pupilas isofotorreagentes. À inspeção abdominal, foi evidenciada equimose em andar superior do abdome, que sugeria ter sido provocada pelo guidão da bicicleta. À palpação, dor abdominal, sem sinais de peritonite.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Trauma abdominal fechado, hemodinamicamente estável, com dor e equimose → TC de abdome para investigar lesões.
Paciente vítima de trauma abdominal fechado, com sinais de impacto (equimose, dor) mas hemodinamicamente estável (FC 90, PA 110x60, ECG 15), não apresenta indicação imediata de laparotomia. A investigação de lesões intra-abdominais em pacientes estáveis é feita com Tomografia Computadorizada (TC) de abdome, que oferece maior detalhe e sensibilidade que o FAST para lesões parenquimatosas.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em jovens, frequentemente resultante de acidentes automobilísticos ou quedas. A avaliação inicial segue os preceitos do ATLS, priorizando a estabilização hemodinâmica e a identificação de lesões com risco de vida. A importância clínica reside na capacidade de identificar lesões ocultas que podem evoluir para complicações graves. A fisiopatologia envolve a transmissão de energia cinética aos órgãos abdominais, causando lacerações, contusões ou rupturas. O diagnóstico começa com o exame físico, buscando sinais como dor, equimose (sinal do guidão), distensão abdominal e defesa. A avaliação hemodinâmica é crucial para classificar o paciente como estável ou instável. Em pacientes estáveis, a Tomografia Computadorizada com contraste é o padrão-ouro para identificar e graduar lesões de órgãos sólidos e detectar líquido livre. O tratamento depende da estabilidade hemodinâmica e do tipo de lesão. Pacientes estáveis com lesões de órgãos sólidos podem ser manejados de forma não operatória, com observação e exames seriados. A laparotomia exploradora é reservada para pacientes instáveis ou com sinais de peritonite. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e à adequação da conduta.
A estabilidade hemodinâmica em um paciente traumatizado é caracterizada por pressão arterial sistólica > 90 mmHg, frequência cardíaca < 120 bpm, ausência de sinais de choque (pele fria, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência) e boa resposta à reposição volêmica inicial.
A Tomografia Computadorizada (TC) é o exame de imagem de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal fechado, pois oferece alta sensibilidade e especificidade para detectar lesões em órgãos sólidos (fígado, baço, rim), lesões de vísceras ocas, hematomas retroperitoneais e sangramentos ativos, guiando a conduta terapêutica.
A laparotomia exploradora imediata é indicada em pacientes com trauma abdominal que apresentam instabilidade hemodinâmica persistente após reposição volêmica, sinais de peritonite, evisceração, pneumoperitônio, sangramento gastrointestinal maciço ou lesões penetrantes com comprometimento visceral evidente.
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