Trauma Abdominal: Ar Retroperitoneal e Lesão Duodenal

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente, vítima de colisão de automóvel, dá entrada no pronto-socorro. Refere não ter usado o cinto de segurança e ter sido projetado contra o volante. O exame físico revela estabilidade hemodinâmica. O paciente refere dor mal definida à palpação do andar superior do abdome, mas não há dor à descompressão. A radiografia simples de abdome mostra ar em torno do rim direito. O diagnóstico mais provável deve ser o de uma lesão no(a):

Alternativas

  1. A) Reto;
  2. B) Sigmoide;
  3. C) Cabeça do pâncreas;
  4. D) 2ª porção duodenal.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + ar retroperitoneal + dor epigástrica → Lesão de duodeno (especialmente 2ª porção).

Resumo-Chave

A presença de ar retroperitoneal em um paciente vítima de trauma abdominal fechado, especialmente com mecanismo de compressão contra o volante, é um forte indicativo de lesão de órgão retroperitoneal. A segunda porção do duodeno é particularmente vulnerável a esse tipo de trauma.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade, e o diagnóstico precoce de lesões internas é crucial para um bom prognóstico. Em vítimas de colisão automobilística, especialmente sem cinto de segurança e com impacto contra o volante, a suspeita de lesões em órgãos abdominais é alta. A estabilidade hemodinâmica inicial não exclui lesões graves, e a dor mal definida no andar superior do abdome, sem sinais claros de peritonite, pode indicar uma lesão retroperitoneal. A presença de ar retroperitoneal em uma radiografia simples de abdome é um sinal patognomônico de perfuração de uma víscera oca retroperitoneal. Entre os órgãos retroperitoneais, o duodeno, particularmente sua segunda porção, é frequentemente lesado em traumas fechados devido à sua localização fixa sobre a coluna vertebral e ao mecanismo de compressão. A lesão duodenal pode ser de difícil diagnóstico, pois os sintomas podem ser inespecíficos e o ar pode não ser evidente imediatamente. A investigação de lesões retroperitoneais requer alta suspeição. Além da radiografia, a tomografia computadorizada com contraste oral e intravenoso é o exame de escolha para avaliar o retroperitônio e identificar lesões duodenais, pancreáticas ou renais. O tratamento de lesões duodenais pode variar de manejo conservador para hematomas intramurais a reparo cirúrgico ou ressecção para perfurações, dependendo da extensão e estabilidade do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais órgãos são retroperitoneais e podem ser lesados em trauma abdominal?

Os órgãos retroperitoneais incluem o duodeno (exceto a primeira porção), pâncreas, rins, ureteres, grandes vasos (aorta e veia cava), cólon ascendente e descendente, reto e glândulas suprarrenais.

Por que a segunda porção do duodeno é vulnerável a trauma fechado?

A segunda porção do duodeno é fixa e se localiza sobre a coluna vertebral, tornando-a suscetível a lesões por compressão contra estruturas ósseas em traumas de desaceleração ou impacto direto, como o choque contra o volante.

Como o ar retroperitoneal se manifesta na radiografia simples?

O ar retroperitoneal pode ser visualizado como bolhas de ar ou coleções gasosas que delineiam os contornos dos rins (sinal de 'halo renal'), do músculo psoas ou de outras estruturas retroperitoneais, indicando perfuração de víscera oca retroperitoneal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo