Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Passageiro do banco da frente, sexo masculino, 34 anos de idade, com cinto de segurança, foi vítima de acidente automobilístico contra um anteparo fixo. Chega ao departamento de emergência 45 minutos após aciden- te imobilizado em prancha longa, colar cervical locado e hemodinamicamente normal. O abdome é mostrado na imagem a seguir. Refere mínima dor à palpação abdominal. O exame de FAST mostra presença de líquido livre na cavidade abdominal e a tomografia de abdome, além de confirmar a presença de líquido livre, não mostra lesão de vísceras parenquimatosas. A principal suspeita é:
Trauma abdominal fechado + cinto segurança + líquido livre sem lesão parenquimatosa → suspeitar lesão víscera oca (intestino delgado).
Em trauma abdominal fechado com uso de cinto de segurança, a presença de líquido livre na cavidade abdominal sem lesão de vísceras parenquimatosas na tomografia deve levantar forte suspeita de lesão de víscera oca, especialmente intestino delgado, devido ao mecanismo de compressão e cisalhamento.
O trauma abdominal fechado é uma das principais causas de morbimortalidade em acidentes automobilísticos, e o diagnóstico precoce de lesões internas é crucial. Embora o cinto de segurança seja um dispositivo de segurança vital, ele pode, paradoxalmente, causar um padrão específico de lesões abdominais, conhecido como 'síndrome do cinto de segurança', que inclui lesões de vísceras ocas, fraturas vertebrais e lesões mesentéricas. A avaliação inicial no departamento de emergência inclui o exame físico, que pode ser enganoso em pacientes com dor mínima, e exames complementares como o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e a tomografia computadorizada (TC). O FAST é rápido e detecta líquido livre, mas não identifica a origem. A TC é mais detalhada, mas lesões de vísceras ocas, como perfurações intestinais, podem ser sutis ou se manifestar tardiamente, com achados como líquido livre sem lesão parenquimatosa óbvia, espessamento de parede intestinal ou pneumoperitônio. A suspeita clínica é fundamental. Diante de um paciente com trauma abdominal fechado, uso de cinto de segurança, líquido livre na cavidade e TC sem lesão parenquimatosa, a lesão de víscera oca (especialmente intestino delgado) deve ser a principal hipótese. O manejo pode envolver observação rigorosa com exames seriados ou laparotomia exploratória, dependendo da estabilidade hemodinâmica e da evolução clínica, para evitar complicações graves como peritonite e sepse.
Sinais incluem dor abdominal desproporcional ao trauma inicial, peritonite que se desenvolve tardiamente, presença de líquido livre na TC sem lesão parenquimatosa óbvia, e um mecanismo de trauma sugestivo, como compressão pelo cinto de segurança ou desaceleração brusca.
O cinto de segurança, ao comprimir o abdome contra a coluna vertebral durante uma desaceleração brusca, pode causar lesões por cisalhamento ou compressão direta em órgãos como o intestino delgado, especialmente no jejuno e íleo, onde há fixação mesentérica.
O FAST é uma ferramenta rápida para detectar líquido livre na cavidade abdominal, indicando hemorragia ou perfuração. A tomografia detalha lesões parenquimatosas e pode sugerir lesões de vísceras ocas (espessamento de parede, pneumoperitônio), embora estas possam ser difíceis de visualizar inicialmente, exigindo reavaliações.
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