HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Um homem de 45 anos levou uma bolada no abdômen durante jogo de futebol. Chega ao hospital depois de 4 horas, com dor abdominal intensa. O abdômen é em tábua, com descompressão brusca positiva. Pulso: 120 bpm, PA: 80 × 60 mmHg. Após a administração de 1.000 mL de solução cristaloide, a pressão subiu para 110 × 60 mmHg, mas a taquicardia se manteve. O lactato é normal. Fez a tomografia de abdômen ilustrada a seguir, que evidenciou mínima quantidade de gás aparentemente fora de trajeto intestinal, contígua a segmento intestinal (jejuno), localizado na região supra-umbilical, com discreta densificação dos planos mesentéricos adjacentes, e mínima quantidade de líquido livre na pelve. Não havia evidência tomográfica de lesões de vísceras parenquimatosas.A respeito do quadro abdominal deste paciente, é correto afirmar:
Trauma abdominal fechado + instabilidade hemodinâmica + sinais de peritonite → Laparotomia exploradora imediata, independente da imagem.
Em trauma abdominal fechado, a presença de instabilidade hemodinâmica persistente após ressuscitação inicial e sinais claros de peritonite (abdômen em tábua, descompressão brusca positiva) são indicações absolutas para laparotomia exploradora, sem a necessidade de exames de imagem adicionais que possam atrasar a intervenção salvadora.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, e a rápida identificação de lesões que requerem intervenção cirúrgica é crucial. O paciente do caso apresenta um quadro clínico grave após trauma abdominal: dor intensa, abdômen em tábua, descompressão brusca positiva (sinais clássicos de peritonite), e instabilidade hemodinâmica (PA 80x60 mmHg, pulso 120 bpm) que, embora melhore parcialmente com fluidos, mantém taquicardia. A presença de peritonite e instabilidade hemodinâmica persistente após a ressuscitação inicial com cristaloides são indicações absolutas para laparotomia exploradora imediata em trauma abdominal. Nesses cenários, a realização de exames de imagem como a tomografia computadorizada, embora útil em pacientes estáveis, pode atrasar uma cirurgia salvadora e piorar o prognóstico. A tomografia, neste caso, confirmou achados sugestivos de lesão de víscera oca (gás fora do trajeto intestinal, densificação mesentérica, líquido livre), mas a decisão cirúrgica já estava estabelecida pelos dados clínicos. Portanto, a conduta correta seria a laparotomia exploradora sem a necessidade de aguardar a tomografia. A presença de líquido livre na pelve na ausência de lesão parenquimatosa evidente, combinada com os sinais de peritonite, reforça a suspeita de lesão de víscera oca, que é uma indicação cirúrgica. O tratamento não operatório é reservado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e com lesões parenquimatosas específicas ou pequenas quantidades de líquido livre sem outras evidências de lesão grave.
Os sinais clássicos de peritonite incluem dor abdominal intensa e difusa, abdômen em tábua (rigidez muscular involuntária) e descompressão brusca positiva, indicando irritação peritoneal.
A instabilidade hemodinâmica persistente (hipotensão, taquicardia) após a ressuscitação inicial com fluidos em um paciente com trauma abdominal é uma indicação absoluta para laparotomia exploradora, pois sugere hemorragia ativa ou lesão grave.
Não, a tomografia não é sempre necessária. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sinais claros de peritonite, a laparotomia exploradora é indicada imediatamente, sem a necessidade de exames de imagem que poderiam atrasar a intervenção cirúrgica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo