Trauma Abdominal: Manejo do Choque Refratário e FAST Positivo

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 33 anos, é admitido ano setor de emergência pós-acidente automobilístico. No transporte, administrou-se 2 litros(L) de solução cristaloide, em 30 minutos. Encontra-se hipocorado, confuso, enchimento capilar lentificado, taquipneico, FC = 128bpm, PA = 90x50mmHg. Realizou-se o protocolo FAST (Focused Assesment with Sonography for Trauma), com o achado a seguir. Durante a realização do protocolo, iniciou-se oxigenioterapia suplementar e administrou-se, rapidamente, mais 1L de Ringer lactado. Todavia, o paciente continuou instável hemodinamicamente. A conduta mais adequada neste momento é:

Alternativas

  1. A) solicitar, com urgência, uma TC do abdome com contaste para identificar o órgão lesado
  2. B) realizar lavado peritoneal diagnóstico e, se houver aspiração ≥ 10mL de sangue, indicar laparomia exploradora
  3. C) indicar laparomia exploradora imediatamente, pois deve-se considerar que o protocolo FAST foi positivo
  4. D) pesquisar outra fonte de sangramento, que não hemorragia intra-abdominal, já que o protocolo FAST foi negativo

Pérola Clínica

Trauma abdominal + instabilidade hemodinâmica persistente pós-fluidos + FAST positivo → Laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma com instabilidade hemodinâmica persistente após ressuscitação volêmica inicial e FAST positivo (ou achados clínicos altamente sugestivos de hemorragia intra-abdominal), a laparotomia exploradora é a conduta mais adequada para controle do sangramento e estabilização.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade, especialmente em acidentes automobilísticos. A rápida identificação e manejo do choque hipovolêmico são cruciais para a sobrevida do paciente. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na via aérea, respiração, circulação, disfunção neurológica e exposição. A fisiopatologia do choque hipovolêmico no trauma envolve a perda aguda de volume sanguíneo, levando à diminuição da perfusão tecidual e disfunção orgânica. O protocolo FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta diagnóstica rápida à beira do leito para identificar sangramento intra-abdominal ou pericárdico. Em pacientes hemodinamicamente instáveis, um FAST positivo é uma indicação para laparotomia exploradora, pois o tempo é um fator crítico para o controle da hemorragia. O tratamento inicial consiste em ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, mas se a instabilidade persistir e houver suspeita de sangramento ativo, a intervenção cirúrgica é imperativa. A laparotomia exploradora permite a identificação e controle direto da fonte de sangramento, melhorando o prognóstico. A demora na decisão cirúrgica em pacientes instáveis é um erro grave que pode levar a desfechos fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico no trauma?

Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa, confusão mental e taquipneia. A persistência desses sinais após a infusão inicial de fluidos indica choque refratário.

Qual a importância do protocolo FAST no trauma abdominal?

O FAST é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal e pericárdio. Em pacientes instáveis, um FAST positivo indica a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma abdominal?

A laparotomia exploradora é indicada imediatamente em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica persistente, especialmente se houver evidência de sangramento intra-abdominal (FAST positivo, lavado peritoneal diagnóstico positivo ou sinais clínicos claros).

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