IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 35 anos de idade, vítima de acidente de moto contra anteparo fixo, é levado pelo resgate para hospital terciário (centro referenciado de trauma) sob intubação orotraqueal, com colar cervical e prancha rígida. Em avaliação inicial, o tubo orotraqueal está bem locado, com colar cervical e saturação periférica de oxigênio de 91% em ar ambiente. A expansibilidade torácica está diminuída à direita, com diminuição da ausculta nesta região. A ausculta cardíaca está normal, com frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 120x70 mmHg. O abdome está flácido, com pelve estável e toque retal sem alterações. Escala de coma de Glasgow 3, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Realizou tomografia de abdome com a única alteração ilustrada a seguir, não sendo observado extravasamento de contraste: Qual é a conduta indicada neste momento?
Estabilidade hemodinâmica + Ausência de extravasamento de contraste → Manejo Conservador.
No trauma abdominal fechado com paciente estável e TC sem extravasamento de contraste (blush), a conduta de escolha é a observação clínica rigorosa e monitorização laboratorial.
O manejo do trauma abdominal mudou drasticamente com a melhoria da qualidade da tomografia computadorizada. Antigamente, qualquer lesão de órgão sólido era indicação de cirurgia. Hoje, o Manejo Não Operatório (MNO) é o padrão para lesões hepáticas e esplênicas em pacientes estáveis.\n\nEste paciente apresenta estabilidade (PA 120x70) apesar da taquicardia leve (que pode ser por dor ou estresse do trauma). A ausência de extravasamento de contraste na TC reforça a segurança da observação. A monitorização deve ser feita em ambiente de terapia intensiva ou semi-intensiva com reavaliações físicas frequentes.
Os critérios principais incluem estabilidade hemodinâmica (ou estabilização rápida após infusão mínima de volume), ausência de sinais de peritonite ao exame físico e a capacidade de realizar monitorização contínua e exames de imagem seriados. Na TC, a ausência de extravasamento ativo de contraste (blush arterial) e a ausência de lesões de vísceras ocas são fundamentais para sustentar essa conduta.
Se o paciente estiver hemodinamicamente estável, mas a tomografia demonstrar extravasamento de contraste (blush), a conduta preferencial em centros de trauma avançados é a arteriografia com embolização seletiva do vaso sangrante. Isso permite manter o manejo não operatório do órgão, aumentando as taxas de sucesso da preservação esplênica ou hepática.
A falha do manejo não operatório ocorre quando há instabilidade hemodinâmica persistente apesar da reposição volêmica, queda significativa e progressiva dos níveis de hemoglobina, surgimento de sinais de peritonite (sugerindo lesão de víscera oca despercebida) ou evidência de sangramento persistente em exames de imagem.
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