UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 18a, vítima de queda de motocicleta, trazido pelo SAMU para hospital terciário. Exame físico: FR= 22 irpm, FC= 112 bpm, PA= 94x62 mmHg, consciente, orientado, com escoriações na região toracoabdomial à direita; Membros: deformidade e edema na coxa direita. Radiograma de tórax e bacia: sem alterações; Focused Assessment with Sonography in Trauma (FAST): líquido em moderada quantidade no espaço de Morrison. Após receber 1 litro de Ringer lactato aquecido os sinais vitais: FR= 20 irpm, FC= 98 bpm, PA= 106x74 mmHg. A CONDUTA É:
FAST positivo + resposta transitória a fluidos → TC abdome p/ TNO de lesões de vísceras maciças.
Em pacientes com trauma abdominal e FAST positivo que apresentam melhora hemodinâmica após ressuscitação volêmica inicial (resposta transitória), a tomografia computadorizada de abdome é a próxima etapa para identificar a origem do sangramento e avaliar a possibilidade de tratamento não operatório, especialmente em lesões de órgãos sólidos.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em jovens, e sua avaliação inicial é crucial. O FAST (Focused Assessment with Sonography in Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre na cavidade abdominal, indicando potencial hemorragia interna. Sua importância reside na triagem rápida de pacientes no pronto-socorro, auxiliando na decisão de conduta. A epidemiologia mostra que lesões de vísceras maciças, como baço e fígado, são comuns e muitas vezes passíveis de tratamento conservador. A fisiopatologia do choque hipovolêmico no trauma é a perda de volume sanguíneo, levando à diminuição da perfusão tecidual. A avaliação da resposta à ressuscitação volêmica é fundamental para guiar a conduta. Pacientes que respondem transitoriamente aos fluidos, ou seja, melhoram temporariamente mas não se mantêm estáveis, necessitam de investigação mais aprofundada. Nesses casos, a tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame padrão-ouro para identificar a lesão específica e sua gravidade, permitindo diferenciar entre lesões que requerem cirurgia imediata e aquelas que podem ser manejadas de forma não operatória. O tratamento não operatório (TNO) de lesões de vísceras maciças tem se tornado a abordagem preferencial em pacientes selecionados, reduzindo a morbidade associada à laparotomia. Contudo, exige monitorização rigorosa e critérios bem definidos para sua aplicação. A decisão entre TNO e laparotomia exploradora depende da estabilidade hemodinâmica do paciente, do tipo e grau da lesão, e da presença de outras lesões associadas. Residentes devem dominar essa avaliação para otimizar o manejo e o prognóstico dos pacientes traumatizados.
O FAST é considerado positivo quando detecta líquido livre em qualquer um dos quatro espaços avaliados: pericárdico, periesplênico, peri-hepático (espaço de Morrison) e pélvico (saco de Douglas). A presença de líquido livre, especialmente em quantidade moderada a grande, sugere hemorragia interna.
Um respondedor é um paciente que melhora e se mantém estável após a ressuscitação volêmica. Um respondedor transitório melhora inicialmente, mas piora novamente ou não se mantém estável. Um não respondedor não apresenta melhora hemodinâmica apesar da ressuscitação volêmica adequada. A conduta difere significativamente para cada grupo.
O tratamento não operatório (TNO) é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis ou que se estabilizam após ressuscitação, sem sinais de peritonite ou lesão de víscera oca, e com lesões de vísceras maciças (fígado, baço, rim) identificadas por tomografia. O TNO requer monitorização intensiva e, por vezes, angiografia com embolização.
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