HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 31 anos de idade é admitida na unidade de emergência após ser vítima de acidente automotivo há 1 hora (batida do carro em um poste com velocidade de 30km/h). Foi transportada com colar cervical e prancha rígida. Os dados do atendimento pelo serviço médico de emergência no local evidenciaram frequência cardíaca de 80bpm, pressão arterial de 120x70mmHg e escala de coma de Glasgow de 15.À admissão, apresenta vias aéreas pérvias com colar cervical, com saturação de oxigênio inicial de 91% em ar ambiente, que se elevou para 96% com máscara de oxigênio a 12L/min. Expansibilidade torácica está normal, com murmúrios vesiculares simétricos. A pressão arterial é de 120x80mmHg e a frequência cardíaca é de 88bpm. Seu abdome é flácido e doloroso à palpação profundamente, sem sinais de irritação peritoneal. A pelve está estável, com toque retal sem alterações. Apresenta diurese clara em sonda vesical de demora. A escala de coma de Glasgow é de 15, com pupilas isocóricas e fotorreagentes. As alterações do exame físico e da tomografia computadorizada de abdome total podem ser vistas nas imagens a seguir:Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
Trauma abdominal com dor profunda e TC alterada → videolaparoscopia para diagnóstico/tratamento.
Em pacientes com trauma abdominal fechado, hemodinamicamente estáveis, mas com dor abdominal significativa à palpação profunda e alterações na tomografia computadorizada que sugerem lesões intracavitárias, a videolaparoscopia é uma excelente opção. Ela permite tanto o diagnóstico preciso das lesões quanto o tratamento cirúrgico minimamente invasivo, evitando uma laparotomia exploradora desnecessária em alguns casos.
A decisão de realizar uma videolaparoscopia deve ser individualizada, considerando a experiência da equipe, o tipo de lesão suspeita e as condições do paciente. Residentes devem estar familiarizados com as indicações e contraindicações da videolaparoscopia no trauma, compreendendo que ela representa uma evolução no manejo de pacientes selecionados, otimizando o diagnóstico e o tratamento e contribuindo para melhores desfechos.
Sinais de alerta incluem dor abdominal persistente ou progressiva, defesa ou irritação peritoneal, distensão abdominal, hipotensão inexplicável, taquicardia, e achados anormais em exames de imagem como FAST ou TC. A dor à palpação profunda, mesmo sem irritação peritoneal, deve levantar suspeita.
A videolaparoscopia é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal fechado ou penetrante, quando há suspeita de lesões intracavitárias que não foram claramente definidas por outros exames ou que podem ser tratadas por via minimamente invasiva. É útil para diagnóstico e tratamento de lesões de órgãos ocos, diafragma e algumas lesões de órgãos sólidos.
As vantagens incluem menor tempo de internação, menor dor pós-operatória, menor risco de infecção de ferida operatória, recuperação mais rápida e melhor resultado estético. No trauma, permite uma exploração completa da cavidade abdominal com menor invasividade, evitando laparotomias desnecessárias.
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