USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 59 anos de idade, foi vítima de atropelamento por automóvel com velocidade estimada em 40km/h. Admitido no serviço com: A: via aérea pérvia, saturação de 97% ar ambiente; B: ausculta e expansibilidade pulmonar simétricas; C: FC: 80bpm; PA: 110 x 70mmHg; D: Glasgow de 15. Sem alterações de pupilas; E: Dor abdominal na fossa ilíaca direita e supra-púbica. Presença de hematúria. Dor na região coxo-femoral direita com deformidade do membro inferior direito. Realizada tomografia do abdome com os seguintes achados: Qual é a melhor conduta no trauma abdominal?
Trauma abdominal + hematúria + dor pélvica → suspeitar lesão urogenital/abdominal. TC com achados = laparoscopia diagnóstica.
O paciente apresenta trauma abdominal fechado de alta energia, com sinais de lesão urogenital (hematúria, dor suprapúbica) e ortopédica (deformidade coxo-femoral). A tomografia do abdome, embora não detalhada no enunciado, é o exame padrão para avaliar lesões viscerais. Diante de achados tomográficos que indicam lesão abdominal ou pélvica que necessite de exploração, a laparoscopia (ou laparotomia) é a conduta mais adequada para diagnóstico e tratamento.
O trauma abdominal fechado, frequentemente resultante de atropelamentos ou acidentes automobilísticos, é uma emergência médica que exige avaliação rápida e precisa devido ao risco de lesões viscerais graves e hemorragia. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização do paciente e identificação de lesões com risco de vida. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável (FC 80bpm, PA 110x70mmHg, Glasgow 15), permitindo uma investigação mais aprofundada. A presença de dor abdominal na fossa ilíaca direita e suprapúbica, associada à hematúria, é um forte indicativo de lesão do trato urogenital (bexiga, uretra, rins) ou estruturas pélvicas. A deformidade do membro inferior direito na região coxo-femoral sugere uma fratura pélvica ou de fêmur, que pode estar associada a lesões urogenitais e hemorragia retroperitoneal. A tomografia de abdome é o exame de imagem de escolha para pacientes estáveis, fornecendo detalhes sobre lesões de órgãos sólidos, vísceras ocas e estruturas pélvicas. Diante de achados tomográficos que indicam lesões intra-abdominais ou pélvicas que requerem exploração, a laparoscopia (ou laparotomia, dependendo da gravidade e estabilidade) é a conduta mais apropriada. A laparoscopia permite a visualização direta das estruturas, o diagnóstico preciso das lesões e, em muitos casos, o tratamento definitivo de forma minimamente invasiva. Cistoscopia e sondagem vesical são procedimentos diagnósticos ou de suporte, mas não abordam a necessidade de exploração abdominal ou pélvica mais ampla. A embolização seria uma opção para controle de sangramentos específicos, mas a laparoscopia oferece uma abordagem mais completa para o cenário descrito.
Sinais de alerta incluem hematúria macro ou microscópica, dor suprapúbica ou em flancos, incapacidade de urinar, extravasamento de urina, e fraturas pélvicas, que aumentam o risco de lesão de bexiga ou uretra.
A tomografia de abdome com contraste é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de lesões viscerais, dor abdominal significativa, defesa, ou achados de FAST positivo, para identificar e graduar lesões.
A laparoscopia pode ser diagnóstica e terapêutica. É indicada para pacientes estáveis com achados de imagem que sugerem lesão intra-abdominal que necessita de exploração, ou para avaliar a extensão de lesões e realizar reparos minimamente invasivos.
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