Trauma Abdominal Fechado: Indicações de TC em Pacientes Estáveis

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 20 anos de idade, é trazido pelo SAMU ao pronto socorro do Hospital Geral, vítima de queda de moto há 20 minutos. Paciente dá entrada com colar cervical e prancha rígida, referindo dor em ombro direito, em região escapular direita e em abdome. No exame inicial, A: Via aérea pérvia, mantido colar cervical, SatO₂: 97% com cateter de O₂ 15L/min; B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 18ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 88bpm, PA: 122x72mmHg, abdome com dor à palpação, principalmente, em hipocôndrio direito, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow=15, pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: presença de escoriações em tórax. Diante desse caso clínico,Identifique o exame complementar mais adequado que pode auxiliar na confirmação do diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome com contraste.
  2. B) Avaliação com ultrassonagrafia focada para o trauma (FAST).
  3. C) Videolaparoscopia.
  4. D) Radiografia de abdome.

Pérola Clínica

Paciente estável com trauma abdominal → TC de abdome com contraste é o padrão-ouro.

Resumo-Chave

A estabilidade hemodinâmica permite o transporte seguro para a tomografia, que oferece maior sensibilidade e especificidade para lesões de órgãos sólidos e retroperitônio do que o FAST.

Contexto Educacional

O manejo do trauma abdominal fechado evoluiu significativamente com a melhoria das técnicas de imagem. Segundo o ATLS, a escolha do exame complementar depende diretamente do status hemodinâmico do paciente. Pacientes instáveis devem ser submetidos a métodos rápidos à beira leito, como o FAST ou LPD, para identificar a necessidade de laparotomia imediata. Para o paciente estável, a TC de abdome com contraste triplo (ou pelo menos venoso) é indispensável. Ela permite o tratamento não operatório (TNO) de muitas lesões de órgãos sólidos (fígado, baço, rins), que hoje é a conduta preferencial em serviços de trauma avançados. Além disso, a TC é superior na detecção de lesões de vísceras ocas e lesões pancreáticas, embora estas ainda possam ser desafiadoras nas fases iniciais do trauma.

Perguntas Frequentes

Por que preferir a TC ao FAST em pacientes estáveis?

A Tomografia Computadorizada (TC) com contraste endovenoso é considerada o padrão-ouro para a avaliação de pacientes hemodinamicamente estáveis vítimas de trauma abdominal fechado. Diferente do FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma), que apenas detecta a presença de líquido livre na cavidade peritoneal, a TC permite a visualização direta do parênquima dos órgãos sólidos, identificando a localização exata da lesão, sua extensão e a presença de extravasamento ativo de contraste (o 'blush' arterial), que pode indicar a necessidade de angioembolização. Além disso, a TC é superior na avaliação do retroperitônio, incluindo rins, pâncreas e grandes vasos, áreas que são 'pontos cegos' para a ultrassonografia e para o lavado peritoneal diagnóstico.

Quais os critérios de estabilidade hemodinâmica no trauma?

A estabilidade hemodinâmica no contexto do trauma é definida pela manutenção de parâmetros vitais dentro da normalidade ou próximos a ela, indicando que o paciente não está em choque descompensado. Os critérios incluem uma pressão arterial sistólica (PAS) superior a 90 mmHg, frequência cardíaca (FC) inferior a 100 batimentos por minuto, estado mental preservado (Glasgow 15) e boa perfusão periférica. No caso clínico apresentado, o paciente possui PA de 122/72 mmHg e FC de 88 bpm, o que garante segurança para que ele seja transportado para a sala de tomografia. Pacientes que apresentam instabilidade ou que respondem apenas transitoriamente à reposição volêmica devem ser manejados com métodos diagnósticos à beira-leito ou levados diretamente à laparotomia.

A dor em hipocôndrio direito sugere qual lesão?

A dor à palpação em hipocôndrio direito após um trauma abdominal fechado, como uma queda de moto, é um sinal de alerta importante para lesão hepática, o órgão sólido mais frequentemente lesionado nesse mecanismo. Além da dor local, o paciente pode apresentar dor referida no ombro direito, conhecida como sinal de Kehr à direita, resultante da irritação do nervo frênico pelo sangue ou bile em contato com o diafragma. Embora o exame físico inicial possa ser inespecífico, a presença de dor localizada em um paciente estável é uma indicação formal de investigação por imagem com TC para graduar a lesão e decidir entre o tratamento conservador (não operatório) ou intervenção cirúrgica/hemodinâmica.

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