Trauma Abdominal: Conduta em Paciente Estável com FAST Positivo

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente vítima de acidente automobilístico carro x árvore é trazido pelos bombeiros já com protocolo ATLS iniciado. Ao exame, paciente vigil, abertura ocular ao chamado, discurso orientado e localizando dor no abdome. Sinais vitais: PA: 150x90mmHg, FC: 92bpm, FR: 18irpm, Tax: 37ºC, SO2: 97%. Ao exame: Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações dignas de nota. Pulsos presentes e simétricos, bacia estável. Dor a palpação abdominal difusa sem descompressão dolorosa. Realizada ultrassonografia à beira leito (FAST), que evidenciou líquido livre em loja esplenorrenal. Frente ao quadro a conduta correta seria:

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada com contraste;
  2. B) Laparotomia exploradora;
  3. C) Lavado peritoneal diagnóstico e, caso positivo, indicar laparotomia;
  4. D) Videolaparoscopia diagnóstica;
  5. E) Cistoscopia para avaliar possível lesão uretral.

Pérola Clínica

Trauma abdominal com FAST positivo e paciente hemodinamicamente estável → TC com contraste para estadiamento e manejo não operatório.

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma abdominal fechado que está hemodinamicamente estável (PA 150x90, FC 92) e com FAST positivo para líquido livre, a tomografia computadorizada com contraste é a conduta de escolha. Ela permite identificar a origem do sangramento, estadiar lesões de órgãos sólidos e determinar a possibilidade de manejo não operatório, evitando laparotomias desnecessárias.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, e sua avaliação requer uma abordagem sistemática, frequentemente guiada pelo protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support). A estabilidade hemodinâmica do paciente é o fator mais crítico na decisão da conduta. Pacientes instáveis com sinais de hemorragia abdominal (ex: FAST positivo) geralmente necessitam de laparotomia exploradora de emergência. No entanto, o cenário apresentado descreve um paciente hemodinamicamente estável (PA 150x90, FC 92) apesar do trauma e do FAST positivo para líquido livre em loja esplenorrenal. Nesses casos, a presença de líquido livre indica sangramento, mas a estabilidade permite uma investigação mais aprofundada. A dor abdominal difusa sem descompressão dolorosa também sugere que não há peritonite franca, o que reforça a possibilidade de manejo não operatório. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de lesão abdominal. Ela oferece alta sensibilidade e especificidade para identificar a origem do sangramento, estadiar lesões de órgãos sólidos (como baço, fígado, rim) e detectar lesões de vísceras ocas ou retroperitoneais. Com base nos achados da TC, pode-se optar por um manejo não operatório (conservador) para muitas lesões de órgãos sólidos, especialmente o baço, evitando cirurgias desnecessárias e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do FAST no trauma abdominal?

O FAST é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal e pericárdio em pacientes traumatizados. É crucial para identificar pacientes com sangramento significativo que necessitam de intervenção cirúrgica imediata, especialmente em instabilidade hemodinâmica.

Quando a tomografia computadorizada com contraste é indicada no trauma abdominal?

A TC com contraste é indicada em pacientes com trauma abdominal fechado que estão hemodinamicamente estáveis, mesmo com FAST positivo. Ela oferece detalhes anatômicos precisos, permite estadiar lesões de órgãos sólidos e oco, e auxilia na decisão entre manejo operatório e não operatório.

Quais são os critérios para considerar o manejo não operatório em trauma abdominal?

O manejo não operatório é considerado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite ou lesão de víscera oca, e com lesões de órgãos sólidos (como baço ou fígado) que podem ser tratadas conservadoramente, geralmente confirmadas por TC.

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