Trauma Abdominal Fechado: Manejo do Paciente Instável

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 30 anos de idade foi admitido no pronto-socorro após um acidente automobilístico de alta velocidade. Ele estava usando cinto de segurança no momento do impacto. O paciente queixava-se de dor abdominal intensa e distensão. Ao exame físico, apresentou PA = 90 mmHg x 60 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 24 irpm, temperatura = 36,5 ºC, SatO2 = 92% em a.a, o abdome rígido à palpação, com sinais de equimose e hematomas difusos, e ausculta abdominal diminuída. Exames complementares demonstraram hemograma com hematócrito diminuído e base excess -10, radiografia de tórax sem fraturas costais e FAST livre de líquido intraperitoneal. Considerando esse caso clínico, assinale a alternativa correspondente à conduta mais apropriada para esse paciente com suspeita de trauma abdominal.

Alternativas

  1. A) Observação clínica e repetição da ultrassonografia em seis horas.
  2. B) Tentativa de estabilização hemodinâmica com cristaloides até a chegada de sangue. Caso haja estabilidade, deve realizar tomografia computadorizada de abdome total sem contraste.
  3. C) Tentativa de estabilização hemodinâmica com cristaloides até a chegada de sangue. Caso haja estabilidade, deve realizar tomografia computadorizada de abdome total com contraste.
  4. D) Intervenção cirúrgica exploratória imediata.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + instabilidade hemodinâmica + FAST negativo → Estabilizar com cristaloides e, se estável, TC com contraste.

Resumo-Chave

Pacientes com trauma abdominal fechado e instabilidade hemodinâmica devem ser prontamente ressuscitados com cristaloides. Mesmo com FAST negativo, a instabilidade e os achados clínicos sugerem sangramento. Se houver estabilização, a tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para identificar e graduar lesões.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, frequentemente associado a acidentes automobilísticos. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A presença de choque (hipotensão, taquicardia) e sinais de sangramento (hematócrito diminuído, acidose metabólica) em um paciente com dor e distensão abdominal é altamente sugestiva de lesão intra-abdominal. A fisiopatologia do choque hipovolêmico no trauma abdominal é decorrente da perda sanguínea para a cavidade abdominal ou retroperitônio. Embora o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) seja uma ferramenta útil para identificar líquido livre, um FAST negativo não exclui lesões significativas, especialmente em órgãos sólidos ou retroperitoneais, e não deve atrasar a ressuscitação. A conduta inicial para um paciente instável é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, enquanto se aguarda a disponibilidade de hemoderivados. O prognóstico e o manejo dependem da resposta à ressuscitação. Se o paciente estabilizar hemodinamicamente, a tomografia computadorizada (TC) de abdome total com contraste é o exame de imagem de escolha para identificar a extensão e a gravidade das lesões. O contraste é crucial para avaliar a integridade vascular e a perfusão dos órgãos. A laparotomia exploratória imediata é reservada para pacientes que não respondem à ressuscitação ou que apresentam sinais inequívocos de peritonite ou sangramento maciço incontrolável.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do FAST no trauma abdominal fechado?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida para detectar líquido livre intraperitoneal, mas um resultado negativo não exclui lesões de órgãos sólidos ou retroperitoneais, especialmente em pacientes instáveis.

Quando a laparotomia exploratória é indicada no trauma abdominal?

A laparotomia exploratória é indicada em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica que não respondem à ressuscitação volêmica, ou com sinais claros de peritonite, evisceração ou pneumoperitônio.

Por que a tomografia computadorizada com contraste é preferível no trauma abdominal estável?

A TC com contraste oferece alta sensibilidade e especificidade para identificar e graduar lesões em órgãos sólidos, vasculares e retroperitoneais, permitindo um planejamento terapêutico mais preciso, incluindo o manejo não operatório.

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