FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Paciente vítima de politrauma, evento carro x objeto fixo, sem cinto de segurança, chega sob protocolo Atls com vias aéreas prévias, ausculta pulmonar preservada, estável do ponto de vista hemodinâmico, com PA = 130 x 90 e FC = 89. Pulsos preservados e bacia estável. Apresenta bastante dor abdominal à palpação, porém sem sinais de peritonite e com leve distensão abdominal. O cirurgião de plantão realizou o ultrassom FAST, que demonstrou presença de líquido, ou seja, FAST positivo em loja esplenorrenal (hipocôndrio esquerdo). Frente a essa situação clínica, a melhor conduta seria:
Trauma abdominal + FAST positivo + hemodinamicamente estável → TC de abdome com contraste para estadiamento e conduta.
Em pacientes vítimas de politrauma com FAST positivo e estabilidade hemodinâmica, a Tomografia Computadorizada de abdome total com contraste EV é a melhor conduta. Ela permite identificar e estadiar lesões de órgãos sólidos, como o baço, e guiar a decisão entre tratamento conservador ou cirúrgico, evitando laparotomias desnecessárias.
O manejo do trauma abdominal é um desafio frequente na emergência, e a avaliação inicial segue protocolos como o ATLS (Advanced Trauma Life Support). A estabilidade hemodinâmica do paciente é o principal fator determinante da conduta. Pacientes instáveis com evidência de sangramento intra-abdominal (como um FAST positivo) geralmente requerem laparotomia exploradora imediata para controle da hemorragia. No entanto, para pacientes vítimas de politrauma que se apresentam hemodinamicamente estáveis, mesmo com dor abdominal e um FAST positivo indicando líquido livre na cavidade (como em loja esplenorrenal), a conduta de escolha é a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome total com contraste endovenoso. A TC oferece uma avaliação detalhada dos órgãos intra-abdominais, permitindo identificar o órgão lesado (ex: baço, fígado, rim), graduar a lesão e quantificar o sangramento. Isso é crucial para decidir entre um manejo conservador (não operatório) ou a necessidade de intervenção cirúrgica. O manejo conservador de lesões de órgãos sólidos, como o baço, tem se tornado cada vez mais comum em pacientes estáveis, com altas taxas de sucesso e menor morbidade. A laparotomia exploradora, o lavado peritoneal diagnóstico (LPD) e a videolaparoscopia diagnóstica são opções, mas a TC é superior para o estadiamento inicial em pacientes estáveis, fornecendo informações mais precisas e não invasivas. A observação isolada sem um diagnóstico preciso após um FAST positivo é inadequada, pois o sangramento pode progredir e levar à instabilidade.
A TC de abdome total com contraste EV é indicada em pacientes com trauma abdominal que estão hemodinamicamente estáveis, mesmo com FAST positivo, para identificar, localizar e estadiar lesões de órgãos sólidos e o volume de sangramento.
A estabilidade hemodinâmica é o fator mais crítico. Pacientes instáveis com FAST positivo ou sinais de peritonite necessitam de laparotomia exploradora imediata. Pacientes estáveis permitem uma investigação mais detalhada com TC, possibilitando o manejo não operatório em muitos casos.
Um FAST positivo em loja esplenorrenal indica a presença de líquido livre (geralmente sangue) no espaço periesplênico ou entre o baço e o rim esquerdo. Isso sugere lesão esplênica ou de outros órgãos adjacentes, necessitando de investigação adicional.
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