Trauma Esplênico: Tratamento Conservador em Estáveis

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 36 anos de idade, vítima de acidente motociclístico com trauma abdominal contuso, é admitido no PS. Exame físico: GCS 15, pupilas mióticas e fotoreagentes, eupneico, Sat O2 96% com cateter O2, FR 22 irpm, MV presente sem RA, FC 110 bpm, PA 140/90 mmHg, BRNF em 2T sem sopros, abdome com RHA ligeiramente diminuídos e dor discreta à palpação superficial, descompressão brusca negativa. Tomografia abdome: hematoma subcapsular envolvendo 15% da superfície do baço. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Esplenectomia total.
  2. B) Sutura primária do baço.
  3. C) Embolização por arteriografia.
  4. D) Tratamento conservador.

Pérola Clínica

Trauma esplênico grau I/II em paciente hemodinamicamente estável → tratamento conservador.

Resumo-Chave

O paciente apresenta trauma abdominal contuso com lesão esplênica de baixo grau (hematoma subcapsular envolvendo 15% da superfície do baço, que corresponde a um Grau I ou II na escala AAST) e está hemodinamicamente estável (PA 140/90 mmHg, FC 110 bpm, GCS 15). Nesses casos, o tratamento conservador é a conduta mais adequada, com monitorização rigorosa e exames de imagem seriados.

Contexto Educacional

O trauma abdominal contuso é uma causa comum de lesões em órgãos sólidos, sendo o baço o mais frequentemente afetado. A conduta no trauma esplênico evoluiu significativamente, priorizando o tratamento conservador sempre que possível, devido à importância imunológica do baço na prevenção de infecções, especialmente por bactérias encapsuladas. A decisão entre tratamento conservador e cirúrgico é guiada principalmente pela estabilidade hemodinâmica do paciente e pelo grau da lesão esplênica. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável (PA 140/90 mmHg, FC 110 bpm, GCS 15) e a tomografia de abdome revela um hematoma subcapsular envolvendo 15% da superfície do baço. Esta descrição corresponde a uma lesão de baixo grau (geralmente Grau I ou II na classificação da American Association for the Surgery of Trauma - AAST). Para lesões de baixo a moderado grau em pacientes estáveis, o tratamento conservador é a conduta de escolha. O tratamento conservador envolve monitorização rigorosa em ambiente hospitalar (UTI ou enfermaria com monitorização intensiva), repouso no leito, controle da dor, exames de imagem seriados (geralmente ultrassom ou TC) para reavaliar a lesão e hemogramas seriados para monitorar a hemoglobina. A falha do tratamento conservador (instabilidade hemodinâmica, sangramento ativo contínuo, aumento da lesão) indicaria a necessidade de intervenção, que pode ser embolização por arteriografia ou, em último caso, esplenectomia. A sutura primária do baço é raramente realizada e geralmente reservada para lesões muito pequenas e superficiais com sangramento ativo focal.

Perguntas Frequentes

Quando o tratamento conservador é indicado para lesões esplênicas?

O tratamento conservador é indicado para pacientes com lesões esplênicas de baixo grau (AAST I, II, e alguns III) que estão hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite difusa ou outras lesões abdominais que exijam cirurgia.

Quais são os critérios para considerar um paciente com trauma abdominal hemodinamicamente estável?

Um paciente com trauma abdominal é considerado hemodinamicamente estável se apresentar pressão arterial e frequência cardíaca normais ou ligeiramente elevadas, boa perfusão periférica, nível de consciência preservado e ausência de sinais de choque.

Quais são os riscos e benefícios do tratamento conservador do baço?

Os benefícios incluem a preservação da função imunológica do baço, evitando o risco de sepse pós-esplenectomia. Os riscos são a falha do tratamento conservador, que pode exigir intervenção tardia, e a necessidade de monitorização intensiva para identificar sangramento ativo ou instabilidade.

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