UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020
Paciente vítima de acidente de trânsito, estava de carona traseira sem cinto de segurança, apresenta trauma abdominal contuso, com dor abdominal a palpação profunda em hipocôndrio direito, sem irritação peritoneal, hemodinamicamente estável, realizou TC de abdome que revelou hematoma de 30% de extensão superficial em segmento 7 do fígado. A melhor conduta para esse paciente é:
Trauma abdominal contuso + lesão hepática grau I + estável → TC com contraste para reavaliação e manejo não operatório.
Em pacientes com trauma abdominal contuso, hemodinamicamente estáveis e com lesões hepáticas de baixo grau (como um hematoma superficial de 30% no segmento 7, que geralmente se enquadra em grau I ou II), a conduta inicial é o manejo não operatório. Isso inclui observação rigorosa, monitorização hemodinâmica e exames de imagem seriados, como a TC de abdome com contraste, para avaliar a evolução da lesão e descartar sangramento ativo ou outras lesões.
O trauma abdominal contuso é uma causa frequente de lesões viscerais, sendo o fígado um dos órgãos mais comumente afetados devido à sua localização e tamanho. A avaliação inicial de um paciente vítima de trauma segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. A classificação das lesões hepáticas é feita pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), variando de grau I (hematoma subcapsular <10% ou laceração <1 cm de profundidade) a grau VI (avulsão hepática). Para pacientes com trauma hepático contuso que estão hemodinamicamente estáveis, o manejo não operatório é a conduta padrão ouro e tem sido bem-sucedido em mais de 85% dos casos. Este manejo envolve observação rigorosa em ambiente de terapia intensiva, monitorização hemodinâmica contínua, exames laboratoriais seriados (hemograma) e, crucialmente, exames de imagem seriados. A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste endovenoso é a modalidade de escolha para avaliar a extensão da lesão, identificar sangramento ativo (extravasamento de contraste) e acompanhar a evolução do hematoma ou laceração. A repetição da TC com contraste é essencial para reavaliar a lesão, especialmente se houver qualquer deterioração clínica ou dúvida sobre a progressão da lesão. A angioembolização pode ser considerada em casos de sangramento ativo persistente em pacientes estáveis, enquanto a laparotomia exploradora é reservada para pacientes hemodinamicamente instáveis ou com sinais de peritonite. Residentes devem dominar a avaliação e o manejo conservador do trauma hepático em pacientes estáveis.
O manejo não operatório é a conduta de escolha para a maioria dos pacientes com lesões hepáticas traumáticas que estão hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da lesão, desde que não haja sinais de peritonite ou outras lesões que exijam cirurgia.
A TC com contraste é fundamental para classificar a lesão hepática, identificar sangramento ativo (extravasamento de contraste) e monitorar a evolução do hematoma ou laceração, sendo crucial para guiar o manejo não operatório.
Sinais de falha incluem instabilidade hemodinâmica persistente, aumento da dor abdominal, sinais de peritonite, queda significativa do hematócrito ou evidência de sangramento ativo persistente em exames de imagem seriados.
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