Trauma Abdominal Contuso: Manejo do Hemoperitônio

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Um jovem de 21 anos sofreu trauma contuso abdominal por queda de motocicleta. Apresenta hematócrito de 33% e hemoglobina de 9 g/dl. Está com dor abdominal difusa, pressão arterial de 100 x 50 mmHg e 100 batimentos cardíacos por minuto. Sua tomografia com contraste mostra pequeno hemoperitônio. Qual a conduta?

Alternativas

  1. A) Laparotomia imediata e hemotransfusão.
  2. B) Transferência para o CTI, hemogramas e tomografias seriadas.
  3. C) Arteriografia e embolização portal e esplênica. 
  4. D) Lavado peritoneal e transfusão de crioprecipitado. 

Pérola Clínica

Trauma abdominal contuso com instabilidade limítrofe e pequeno hemoperitônio → observação CTI com exames seriados.

Resumo-Chave

Paciente com trauma abdominal contuso, sinais vitais limítrofes (PA 100x50, FC 100) e pequeno hemoperitônio na TC, sem sinais claros de sangramento ativo ou lesão de órgão sólido grave, pode se beneficiar de manejo não operatório. Isso envolve monitorização intensiva em CTI, exames laboratoriais e de imagem seriados para detectar piora.

Contexto Educacional

O trauma abdominal contuso é uma causa frequente de morbidade e mortalidade, especialmente em jovens, e seu manejo exige uma avaliação rápida e precisa. A decisão entre tratamento cirúrgico e não operatório é um dos pilares do Advanced Trauma Life Support (ATLS) e depende fundamentalmente da estabilidade hemodinâmica do paciente e da natureza das lesões encontradas. A presença de hemoperitônio, mesmo que pequeno, em um paciente com sinais vitais limítrofes, requer uma avaliação cuidadosa. Neste cenário, onde o paciente apresenta uma pressão arterial de 100x50 mmHg e frequência cardíaca de 100 bpm, juntamente com um hematócrito de 33% e hemoglobina de 9 g/dl, ele não está em choque franco, mas sim em uma zona de instabilidade hemodinâmica relativa ou "borderline". A tomografia com contraste, que mostra apenas um "pequeno hemoperitônio" sem evidência de sangramento ativo maciço ou lesão de víscscera oca, sugere que o manejo não operatório (MNO) pode ser uma opção viável. O MNO envolve a transferência para uma unidade de terapia intensiva (CTI) para monitorização rigorosa, incluindo controle seriado de sinais vitais, exames laboratoriais (hemogramas seriados para avaliar a tendência do sangramento) e, se necessário, tomografias seriadas para reavaliar as lesões. Essa abordagem permite evitar laparotomias desnecessárias, que carregam seus próprios riscos, e é segura para pacientes cuidadosamente selecionados que não apresentam sinais de peritonite ou sangramento incontrolável. A arteriografia com embolização é uma opção para sangramentos ativos específicos, mas a observação é a primeira linha para casos como o descrito.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o manejo não operatório (MNO) no trauma abdominal contuso?

O MNO é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite, sem lesão de víscera oca e com lesões de órgãos sólidos que não necessitam de intervenção cirúrgica imediata, como sangramentos autolimitados.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma abdominal contuso?

A laparotomia é indicada para pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, sinais de peritonite, evisceração, pneumoperitônio, ou lesões de órgãos sólidos com sangramento ativo e não controlável por métodos menos invasivos.

Qual o papel da tomografia com contraste no trauma abdominal contuso?

A tomografia com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar lesões de órgãos sólidos e a presença de hemoperitônio no trauma abdominal contuso em pacientes estáveis, fornecendo detalhes anatômicos e auxiliando na decisão de manejo.

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