INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma paciente com 34 anos de idade, vítima de acidente automobilístico, apresentando trauma abdominal contuso sem evidência de lesões em outros segmentos corpóreos, foi levada ao pronto-socorro do Centro de Referência de Trauma de nível terciário para atendimento. No atendimento em cena pela equipe de suporte avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), foram infundidos 500 mL de ringer lactato. No exame físico da paciente, obteve-se os seguintes resultados: FC = 110 bpm, enchimento capilar = 6 segundos, PA = 100 x 70 mmHg, Glasgow = 15. Houve normalização dos sinais vitais após a infusão de mais de 500 mL de solução cristaloide no atendimento inicial. Os exames laboratoriais mostraram os seguintes resultados: Hb = 10,5 g/dL (valor de referência: 12 a 14 g/dL), Ht = 31 % (valor de referência: 35 a 45 %), lactato = 2,8 mmol/L (valor de referência: < 2,0 mmol/L), INR = 1,0 (valor de referência: 0,8 a 1,2), fibrinogênio = 200 mg/dL (valor de referência: 185,0 a 400,0 mg/dL), plaquetas = 120 000/mm³ (valor de referência: 100 000 a 420 000/mm³). A tomografia computadorizada do abdome com contraste endovenoso é mostrada na imagem a seguir. Não foram evidenciadas outras lesões no abdome. Com base na história clínica, nos dados do exame físico e na imagem da tomografia, a conduta médica adequada é indicar
Trauma hepático com instabilidade transitória/resposta a fluidos e lactato ↑ → considerar angiografia/embolização se sangramento ativo.
Em trauma abdominal contuso com lesão hepática, a estabilidade hemodinâmica é o fator chave para decidir entre tratamento operatório e não operatório. Pacientes que respondem à ressuscitação inicial e apresentam sinais de sangramento ativo podem se beneficiar de angiografia e embolização.
O trauma abdominal contuso é uma causa comum de lesões viscerais, sendo o fígado o órgão mais frequentemente lesado. A abordagem inicial segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A decisão entre tratamento operatório e não operatório é crucial e depende primariamente da estabilidade do paciente, da presença de peritonite e de outras lesões associadas. Pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e sem outras lesões que exijam cirurgia, são candidatos ao tratamento não operatório, que inclui observação rigorosa, monitoramento de sinais vitais e exames laboratoriais seriados. A tomografia computadorizada com contraste é essencial para classificar a lesão e identificar sangramentos ativos, como o extravasamento de contraste. A angiografia e embolização são procedimentos minimamente invasivos que se tornaram uma ferramenta valiosa no manejo do trauma hepático, especialmente para controlar sangramentos arteriais ativos em pacientes que respondem à ressuscitação inicial, mas que ainda apresentam evidências de sangramento ou hipoperfusão (ex: lactato elevado). A falha do tratamento não operatório ou a instabilidade persistente indicam a necessidade de intervenção cirúrgica.
Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica persistente, ausência de peritonite, ausência de outras lesões que exijam cirurgia e, idealmente, lesões hepáticas de baixo grau. Monitoramento rigoroso é essencial.
A angiografia e embolização são indicadas para pacientes com sangramento ativo persistente (evidenciado por extravasamento de contraste na TC ou instabilidade hemodinâmica contínua apesar da ressuscitação), especialmente aqueles que respondem transitoriamente à fluidoterapia.
O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e choque. Níveis elevados de lactato no trauma indicam hipovolemia e/ou choque, mesmo que os sinais vitais estejam transitoriamente normalizados, sugerindo a necessidade de investigação e intervenção para a fonte do sangramento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo