FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente com 30 anos de idade vítima de trauma contuso na parte superior esquerda do abdome evoluindo com dor de forte intensidade e sudorese. Deu entrada na Emergência apresentando-se normotenso, taquicárdico e com dor abdominal difusa. Instalado acesso venoso, com infusão de cristaloides e analgesia. Qual o melhor exame complementar para avaliação do quadro abdominal?
Trauma abdominal contuso, paciente normotenso/taquicárdico com dor difusa → USG abdominal (FAST) para avaliar líquido livre.
Em pacientes com trauma abdominal contuso e estabilidade hemodinâmica relativa (normotenso, mas taquicárdico), a ultrassonografia abdominal (FAST) é o exame inicial de escolha. Ela permite identificar rapidamente a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, indicando hemoperitônio e a necessidade de investigação ou intervenção adicional.
O trauma abdominal contuso é uma causa comum de morbimortalidade, exigindo uma avaliação rápida e precisa na emergência. A abordagem inicial visa identificar lesões com risco de vida e estabilizar o paciente. A epidemiologia mostra que acidentes automobilísticos e quedas são as principais causas. A importância clínica reside na alta probabilidade de lesões em órgãos internos, muitas vezes sem sinais externos evidentes inicialmente. No caso apresentado, o paciente, apesar de normotenso, apresenta taquicardia e dor abdominal difusa após trauma contuso, sugerindo uma resposta compensatória a uma possível perda volêmica ou irritação peritoneal. A ultrassonografia abdominal (FAST) é o exame complementar de escolha nesse cenário. Ela é rápida, não invasiva, pode ser realizada à beira do leito e é altamente sensível para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, indicando hemoperitônio. A presença de líquido livre em um paciente com trauma abdominal e sinais de instabilidade (mesmo que compensada) pode indicar a necessidade de intervenção cirúrgica imediata. Outros exames como o lavado peritoneal diagnóstico são mais invasivos e menos utilizados atualmente devido à disponibilidade de métodos de imagem. A tomografia computadorizada de abdome é o padrão ouro para detalhar lesões em pacientes hemodinamicamente estáveis, mas não é a primeira escolha em um paciente com sinais de instabilidade. A rotina radiológica de abdome agudo tem baixa sensibilidade para lesões de órgãos sólidos ou sangramentos, sendo mais útil para perfurações de vísceras ocas (pneumoperitônio). Portanto, a USG abdominal (FAST) oferece o equilíbrio ideal entre rapidez e capacidade diagnóstica para a avaliação inicial deste paciente.
A ultrassonografia FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é crucial por ser rápida, não invasiva e capaz de detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal e pericárdio, auxiliando na identificação de hemorragias internas em pacientes traumatizados, especialmente os instáveis.
A tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha para pacientes com trauma abdominal contuso que estão hemodinamicamente estáveis e que necessitam de uma avaliação mais detalhada das lesões de órgãos sólidos e ocos, bem como para quantificar o líquido livre.
Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, taquicardia, hipotensão (mesmo que inicial), sudorese, distensão abdominal e sinais de peritonite, que podem indicar sangramento significativo ou lesão de víscera oca.
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