Trauma Abdominal: Manejo da Instabilidade Hemodinâmica e Sangramento

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023

Enunciado

Depois de se envolver em uma colisão automobilística, um homem de 25 anos, foi trazido ao hospital que possui capacidade cirúrgica disponível. A tomografia de tórax mostra uma lesão aórtica e laceração esplênica com líquido livre na cavidade abdominal. Sua pressão sanguínea caiu para 70 mmHg após a TC. O próximo passo é:

Alternativas

  1. A) Obter uma angiografia com contraste
  2. B) Transferi-lo para um centro de trauma nível 3
  3. C) Realizar uma laparotomia exploradora
  4. D) Infundir cristaloide adicional

Pérola Clínica

Paciente politraumatizado instável hemodinamicamente com líquido livre abdominal → laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma com instabilidade hemodinâmica persistente (PA 70 mmHg) e evidência de sangramento intra-abdominal (laceração esplênica, líquido livre na TC), a prioridade é o controle da hemorragia. A laparotomia exploradora é o próximo passo imediato e crucial para identificar e controlar a fonte do sangramento, salvando a vida do paciente. Outras investigações ou transferências são secundárias à estabilização hemodinâmica cirúrgica.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade em vítimas de colisões automobilísticas e outros acidentes de alta energia. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), com foco na identificação e tratamento de lesões com risco de vida imediato. A instabilidade hemodinâmica é um sinal crítico de choque e exige ação rápida. Neste cenário, a presença de hipotensão grave (PA 70 mmHg) após uma tomografia computadorizada (TC) que revela laceração esplênica e líquido livre na cavidade abdominal é um achado alarmante. A laceração esplênica é uma causa comum de sangramento intra-abdominal significativo em traumas fechados. O líquido livre na cavidade abdominal em um paciente instável é altamente sugestivo de hemorragia ativa, que é a causa mais provável do choque hipovolêmico. Diante de um paciente hemodinamicamente instável com evidência de sangramento intra-abdominal, a conduta prioritária é a laparotomia exploradora de emergência. Este procedimento cirúrgico permite o controle direto da hemorragia, a identificação e reparo das lesões viscerais. A obtenção de angiografia ou a transferência para outro centro seriam atrasos inaceitáveis que poderiam comprometer a vida do paciente, enquanto a infusão adicional de cristaloide, embora parte da ressuscitação, não aborda a fonte do sangramento e pode ser insuficiente para reverter o choque sem controle cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente traumatizado?

Os sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (pressão arterial sistólica < 90 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), alteração do nível de consciência, pele fria e pegajosa, enchimento capilar prolongado (> 2 segundos) e oligúria. A presença desses sinais indica choque e a necessidade de intervenção imediata.

Por que a laparotomia exploradora é o próximo passo em caso de instabilidade hemodinâmica e líquido livre abdominal?

A laparotomia exploradora é indicada porque a instabilidade hemodinâmica, combinada com líquido livre na cavidade abdominal após trauma, sugere sangramento intra-abdominal significativo. A cirurgia permite identificar a fonte do sangramento (como a laceração esplênica mencionada) e controlá-lo diretamente, o que é vital para a sobrevivência do paciente.

Como a lesão aórtica traumática é abordada em um paciente com sangramento abdominal ativo?

Em um paciente com sangramento abdominal ativo e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é controlar a hemorragia abdominal. A lesão aórtica, embora grave, pode ser abordada após a estabilização do sangramento abdominal ou, em alguns casos, pode ser manejada simultaneamente por uma equipe cirúrgica vascular, dependendo da disponibilidade e da gravidade da lesão aórtica em relação ao sangramento abdominal.

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