USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 27 anos de idade, foi admitido no Serviço de Emergência após colisão de automóvel contra anteparo fixo. A: via aérea pérvia. Saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente; B: dor à palpação do tórax à direita na região inferior e linha axilar média. Hematoma e crepitação no local da dor; C: FC:90bpm e PA: 130x70mmHg. D: Glasgow de 15. Pupilas sem alterações; E: Diurese clara. Dorso sem alterações. Abdome indolor a palpação. Realizada tomografia de abdome demonstrada a seguir:Qual é a melhor conduta?
O trauma abdominal fechado é uma das principais causas de morbimortalidade em vítimas de trauma, frequentemente associado a acidentes automobilísticos. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica e identificação de lesões com risco de vida. Embora o abdome possa estar indolor inicialmente, a presença de trauma de alta energia e sinais de lesão torácica inferior (como dor e crepitação em região costal) deve levantar a suspeita de lesões em órgãos abdominais, especialmente fígado e baço. A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de escolha para avaliar lesões de órgãos sólidos no trauma abdominal em pacientes hemodinamicamente estáveis. Ela permite classificar a gravidade das lesões hepáticas (graus I a VI pela AAST) e identificar sangramentos ativos. Lesões hepáticas de alto grau (IV, V e VI) ou qualquer lesão associada à instabilidade hemodinâmica persistente, apesar da ressuscitação volêmica, são indicações claras para laparotomia exploradora. A laparotomia exploradora no trauma abdominal tem como objetivo principal o controle do sangramento e a reparação das lesões. Em casos de lesão hepática grave, pode ser necessária a compressão manual, empacotamento hepático (packing), ligadura de vasos ou até mesmo ressecções hepáticas. A decisão pela cirurgia deve ser rápida, baseada na avaliação clínica, hemodinâmica e nos achados de imagem, visando salvar a vida do paciente.
As indicações de laparotomia exploradora no trauma abdominal incluem instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite, evisceração, pneumoperitônio, lesão diafragmática suspeita e lesões de órgãos sólidos de alto grau com sangramento ativo e instabilidade.
A tomografia de abdome com contraste é o exame padrão-ouro para classificar lesões de órgãos sólidos, como o fígado, permitindo identificar o grau da lesão, a presença de sangramento ativo e a extensão do hematoma, auxiliando na decisão entre manejo conservador ou cirúrgico.
As lesões hepáticas são classificadas de I a VI pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), baseando-se na profundidade da laceração, tamanho do hematoma subcapsular ou intraparenquimatoso, e envolvimento vascular, sendo graus IV a VI consideradas graves.
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