HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Homem, 57 anos, vítima de colisão moto x carro em rodovia, trazido pelo SAMU, chega à sala de trauma de um hospital de referência em 25 minutos após o evento, com colar cervical, em prancha longa, ansioso. Durante o atendimento pré-hospitalar e transporte recebeu 2 L de solução cristaloide. Exame físico: saturação de O2 = 98%; frequência respiratória = 20 irpm; frequência cardíaca = 90 bpm; pressão arterial = 110 x 70 mmHg; escala de coma de Glasgow = 14. Foi submetido à tomografia computadorizada de corpo todo que evidenciou grande quantidade de líquido intraperitonial, lesão hepática grau IV com extravasamento de contraste livre para a cavidade abdominal. Logo após o exame de imagem, apresentou rebaixamento do nível de consciência, frequência cardíaca = 145 bpm e pressão arterial = 60 x 50 mmHg. A melhor conduta é:
Trauma abdominal + instabilidade hemodinâmica + lesão hepática com extravasamento → Laparotomia de controle de danos.
Paciente com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica progressiva, especialmente com evidência de sangramento ativo (extravasamento de contraste), necessita de intervenção cirúrgica imediata para controle da hemorragia. A laparotomia de controle de danos é a prioridade para estabilizar o paciente antes de tratamentos definitivos.
O trauma abdominal é uma causa significativa de morbimortalidade, e o manejo rápido e eficaz é crucial. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS, priorizando a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A presença de instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma abdominal sugere sangramento ativo e requer intervenção imediata. No caso de lesões hepáticas traumáticas, a classificação de gravidade (AAST) é importante, mas a conduta é guiada principalmente pela estabilidade hemodinâmica. Lesões grau IV com extravasamento de contraste indicam sangramento ativo significativo. A deterioração clínica rápida, com rebaixamento do nível de consciência, taquicardia e hipotensão, configura um choque hipovolêmico grave. A melhor conduta para um paciente instável com sangramento abdominal ativo é a laparotomia exploradora. Em situações de choque grave, a laparotomia de controle de danos é preferível, focando no controle rápido da hemorragia e contaminação, seguida pela correção da tríade letal na UTI. A embolização hepática pode ser considerada posteriormente para lesões residuais ou em pacientes inicialmente estáveis.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), rebaixamento do nível de consciência, pele fria e pegajosa, e oligúria, indicando choque.
É indicada em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica persistente, sangramento incontrolável, ou lesões complexas que exigem controle rápido para evitar a tríade letal (hipotermia, acidose, coagulopatia).
A embolização hepática é uma opção para controle de sangramento em lesões hepáticas em pacientes hemodinamicamente estáveis ou como terapia adjuvante após controle cirúrgico inicial em pacientes instáveis, visando oclusão de vasos sangrantes.
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