Trauma Abdominal: Conduta Inicial no Choque Hemorrágico

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Joviano, 47 anos, refere queda do telhado há 1 hora e queixa-se de dor abdominal. Está consciente, orientado, PA= 80x40mmHg, FC= 110bpm, FR= 20irpm, descorado 1/4+, murmúrio vesicular presente e simétrico, abdome doloroso à palpação, sem irritação peritoneal. Assinale a alternativa que mostra a sequência CORRETA de conduta:

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia na sala de emergência (FAST), oxigênio suplementar e transfusão sanguínea. 
  2. B) Oxigênio suplementar, reposição volêmica e FAST.
  3. C) FAST, tomografia abdominal e reposição volêmica.
  4. D) Reposição volêmica, transfusão sanguínea e laparotomia exploradora. 
  5. E) Entubação orotraqueal, reposição volêmica com Ringer Lactato e FAST.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + instabilidade hemodinâmica → ABCDE, O2, reposição volêmica, FAST.

Resumo-Chave

Em um paciente traumatizado com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), a prioridade é estabilizar o paciente seguindo o protocolo ABCDE do ATLS. Isso inclui oxigênio suplementar, acesso venoso e reposição volêmica agressiva, enquanto o FAST é realizado para identificar rapidamente sangramento intra-abdominal.

Contexto Educacional

O manejo inicial do trauma abdominal em um paciente hemodinamicamente instável é uma emergência médica que exige uma abordagem rápida e sistemática, seguindo os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS). A prioridade é a estabilização do paciente, que inclui a avaliação e manejo das vias aéreas (A), respiração (B), circulação (C), déficit neurológico (D) e exposição (E). No caso apresentado, a hipotensão e taquicardia indicam choque hipovolêmico, provavelmente de origem hemorrágica devido ao mecanismo de trauma. A conduta inicial deve focar na restauração da volemia e oxigenação. Isso envolve a administração de oxigênio suplementar, estabelecimento de acessos venosos calibrosos e início imediato da reposição volêmica com cristaloides. Simultaneamente, o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) deve ser realizado para identificar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade abdominal, que na maioria dos casos de trauma fechado instável, representa sangue. A sequência correta de ações visa estabilizar o paciente antes de procedimentos diagnósticos mais demorados, como a tomografia computadorizada, que é contraindicada em pacientes instáveis. Se o paciente permanecer instável ou o FAST for positivo para grande quantidade de líquido livre, a laparotomia exploradora de emergência é a próxima etapa para controle da hemorragia.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do FAST no trauma abdominal instável?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é crucial no trauma abdominal instável porque permite a detecção rápida de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, indicando sangramento interno e a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

Por que a reposição volêmica é prioritária em pacientes com choque hipovolêmico por trauma?

A reposição volêmica é prioritária para restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, combatendo o choque hipovolêmico causado pela perda sanguínea e prevenindo a falência de múltiplos órgãos.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma abdominal?

A laparotomia exploradora de emergência é indicada em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica persistente, especialmente se o FAST for positivo para líquido livre, sugerindo hemorragia intra-abdominal maciça.

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