HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2022
No contexto de uma paciente de 25 anos, vítima de atropelamento, trazida pelo resgate com colar cervical, tala em braço esquerdo para imobilização de fratura não exposta, agitação intensa, PA 80x 50mmHg, FC 125 bpm, desconforto à palpação abdominal e FAST positivo em pelve, escolha a melhor conduta segundo a última atualização do ATLS (Advanced Trauma Life Support
Trauma instável + FAST positivo → Reposição volêmica + Centro Cirúrgico imediato para controle de sangramento.
Em paciente vítima de trauma com instabilidade hemodinâmica (choque) e FAST positivo em pelve, indicando sangramento intra-abdominal/pélvico, a prioridade é a reposição volêmica inicial com cristaloides e o encaminhamento imediato ao Centro Cirúrgico para controle cirúrgico da hemorragia, conforme o ATLS.
O manejo do paciente politraumatizado instável é um dos desafios mais críticos na medicina de emergência e um tópico central para residentes. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) estabelece uma abordagem sistemática para a avaliação e o tratamento desses pacientes, priorizando a identificação e correção de condições com risco de vida imediato. A instabilidade hemodinâmica, caracterizada por hipotensão e taquicardia, em um paciente traumatizado, é um sinal de choque, que na maioria dos casos de trauma é de origem hipovolêmica devido a sangramento. No cenário de trauma abdominal fechado, o exame FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre na cavidade abdominal e pélvica. Um FAST positivo em um paciente hemodinamicamente instável é uma indicação clara de sangramento significativo e exige intervenção imediata. A fisiopatologia do choque hipovolêmico envolve a perda de volume intravascular, resultando em diminuição do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. A agitação intensa pode ser um sinal de hipoperfusão cerebral. A conduta inicial, conforme o ATLS, inclui a obtenção de acessos venosos calibrosos (preferencialmente jelco 14 ou 16), a reposição volêmica agressiva com cristaloides (20 mL/kg) e, crucialmente, o encaminhamento imediato ao Centro Cirúrgico para laparotomia exploratória. A tomografia computadorizada é contraindicada em pacientes instáveis, pois o tempo gasto no exame pode atrasar o controle do sangramento e piorar o prognóstico. A transfusão de hemoderivados (sangue O negativo ou tipagem específica) é frequentemente necessária, mas a prioridade é o controle cirúrgico da fonte de sangramento.
Os sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90 mmHg), taquicardia (FC > 100 bpm), taquipneia, pele fria e pegajosa, enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência (agitação, letargia) e oligúria. A gravidade do choque é classificada de I a IV com base nesses parâmetros.
Um FAST positivo (presença de líquido livre na cavidade abdominal ou pélvica) em um paciente hemodinamicamente instável (em choque) é uma indicação absoluta para laparotomia exploratória de emergência, pois sugere sangramento ativo que requer controle cirúrgico imediato.
A reposição volêmica inicial é crucial para reverter o choque e manter a perfusão orgânica. O ATLS recomenda o uso de cristaloides isotônicos (ex: Ringer Lactato ou soro fisiológico 0,9%) em bolus de 1 a 2 litros para adultos (20 mL/kg para crianças), com reavaliação da resposta do paciente.
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