Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2025
Uma mulher de 23 anos, assintomática, realizou a prova tuberculínica, que mostrou induração de 10 mm, e radiografia do tórax, que foi normal. Os exames acima referidos foram realizados em virtude do seu marido estar em tratamento para tuberculose pulmonar. Encontra-se em tratamento para o HIV, com última carga viral indetectável dosada 3 meses antes. Estes achados indicam a seguinte conduta:
Paciente com HIV + contato de TB + PPD ≥ 5mm com radiografia de tórax normal = tratar Infecção Latente por Tuberculose (ILTB).
Em pessoas vivendo com HIV (PVHIV), o risco de reativação de tuberculose latente é exponencialmente maior. Por isso, um PPD ≥ 5mm já é considerado reator. Na ausência de sintomas e com radiografia normal, a conduta é tratar a infecção latente (ILTB) para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.
A infecção latente por tuberculose (ILTB) ocorre quando um indivíduo é infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não desenvolve a doença ativa. O bacilo permanece quiescente, mas pode reativar a qualquer momento, especialmente em situações de imunossupressão. Pessoas vivendo com HIV (PVHIV) representam o grupo de maior risco para a reativação da tuberculose, sendo esta uma das principais causas de morbimortalidade nessa população. O diagnóstico da ILTB baseia-se na demonstração de uma resposta imune celular ao M. tuberculosis, através da prova tuberculínica (PPD) ou do ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA). Em PVHIV, um PPD com induração ≥ 5 mm já é considerado positivo. É mandatório excluir a tuberculose ativa através de uma avaliação clínica minuciosa (pesquisa de tosse, febre, perda de peso) e de uma radiografia de tórax. Se não houver sinais de doença ativa, o tratamento da ILTB está indicado. O tratamento da ILTB, também chamado de quimioprofilaxia, reduz significativamente o risco de desenvolvimento de tuberculose ativa. O esquema mais tradicional e recomendado no Brasil para PVHIV é a isoniazida diária por 9 meses. A adesão ao tratamento é um desafio, mas seu benefício na prevenção da doença e na redução da mortalidade é inquestionável, tornando essa conduta um pilar no cuidado integral do paciente com coinfecção TB/HIV.
O ponto de corte varia: ≥ 5mm para imunossuprimidos (HIV, transplantados), contatos íntimos de bacilíferos ou com alterações radiográficas suspeitas; ≥ 10mm para outras condições de risco; e ≥ 15mm para pessoas sem fatores de risco (no Brasil, adota-se 10mm para a população geral).
O esquema preferencial é a Isoniazida na dose de 5-10 mg/kg/dia (máximo de 300 mg/dia) por 9 meses. Alternativas como esquemas com rifapentina estão se tornando mais comuns.
Tratar uma tuberculose ativa com monoterapia (esquema para ILTB) pode induzir rapidamente a resistência do bacilo ao fármaco utilizado, comprometendo futuras opções terapêuticas e a eficácia do tratamento da doença.
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