SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Uma mulher de 32 anos de idade, sem antecedentes pessoais prévios, referindo somente irmão de mesmos pais com “doença no sangue”, deu entrada em setor de emergência, referindo dor em hemitórax direito, ventilatório-dependente, de início súbito há três horas da admissão, sem fatores de melhora e associada à leve dispneia. Ao exame físico: lúcida e orientada; pressão arterial bilateral de 140 x 86 mmHg; FC de 104 bpm; sat. de O₂ de 90% em ar ambiente; FR de 26; peso igual a 60 kg; e altura igual a 1,60 m. ECG apresentando taquicardia sinusal e radiografia de tórax sem alterações. Realizou outros exames, que evidenciaram: hemoglobina 10,8 g/dL; leucócitos 6.800/mm³; plaquetas 410.000/mm³; ureia 23 mg/dL; creatinina 0,9 mg/dL; sódio 141 mEq/L; K 4,9 mEq/L; e clearance de creatinina 93 mL/min. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor opção de tratamento inicial do tromboembolismo pulmonar para a paciente.
TEP com instabilidade hemodinâmica ou alto risco → anticoagulação plena imediata (ex: enoxaparina 1 mg/kg SC 12/12h).
A paciente apresenta quadro clínico sugestivo de TEP (dor pleurítica súbita, dispneia, taquicardia, hipoxemia) e fatores de risco (história familiar de "doença no sangue" - possível trombofilia). A anticoagulação plena é o tratamento inicial padrão para TEP, e a enoxaparina na dose de 1 mg/kg a cada 12 horas (ou 1,5 mg/kg uma vez ao dia) é uma excelente opção. Para 60 kg, 60 mg de 12/12h é a dose correta.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP). A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia e hipoxemia, como no caso apresentado. Fatores de risco como história familiar de trombofilia aumentam a probabilidade. O diagnóstico de TEP é confirmado por exames de imagem, como a angiotomografia de tórax, mas o tratamento inicial não deve ser atrasado em pacientes com alta probabilidade clínica. A anticoagulação plena é a base do tratamento, visando prevenir a progressão do trombo e a ocorrência de novos eventos. As heparinas de baixo peso molecular (HBPM), como a enoxaparina, são preferidas para o tratamento inicial da maioria dos pacientes com TEP devido à sua eficácia, segurança e facilidade de administração. A dose terapêutica usual da enoxaparina é de 1 mg/kg a cada 12 horas por via subcutânea, ou 1,5 mg/kg uma vez ao dia. A warfarina, um anticoagulante oral, é iniciada concomitantemente e o tratamento parenteral é mantido até que o INR esteja na faixa terapêutica por pelo menos 24-48 horas.
Os sintomas clássicos incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, tosse e, em casos graves, síncope ou choque. Sinais podem ser taquicardia, taquipneia e hipoxemia.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, avaliação da probabilidade clínica (ex: escores de Wells ou Geneva), e se houver alta suspeita, iniciar anticoagulação empírica plena enquanto se aguarda a confirmação diagnóstica.
A enoxaparina (heparina de baixo peso molecular) é eficaz, tem biodisponibilidade previsível, não requer monitorização laboratorial intensiva como a heparina não fracionada, e pode ser administrada subcutaneamente, facilitando o manejo.
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