HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Homem, 45 anos, sem história prévia de doença psiquiátrica, procura a Unidade Básica de Saúde por problemas relacionados ao uso de álcool. Há 15 meses tem enfrentado dificuldades no trabalho e no relacionamento familiar devido à mudança de comportamento tanto antes quanto durante e após o consumo. Refere aguardar com ansiedade pelo horário em que irá ingerir bebida alcóolica. Consome, diariamente, ao menos 5 latas de cerveja, em um período de 2 horas, à noite. Ele está motivado a buscar ajuda e expressa desejo de parar de beber. Em relação ao tratamento inicial para esse paciente, afirma-se:I. A prescrição de medicação antidepressiva ou estabilizadora de humor está indicada.II. O tratamento desse paciente deve incluir desintoxicação e reabilitação.III. A prescrição de benzodiazepínico está indicada apenas se houver sinais e sintomas de abstinência. Estão corretas as afirmativas
Transtorno uso álcool → Desintoxicação + Reabilitação; Benzodiazepínico SÓ se abstinência; Antidepressivo/estabilizador NÃO é primeira linha sem comorbidade.
O tratamento do transtorno do uso de álcool envolve desintoxicação e reabilitação. Benzodiazepínicos são indicados para manejar a síndrome de abstinência, mas não para uso rotineiro. Antidepressivos ou estabilizadores de humor não são a primeira linha de tratamento sem comorbidades psiquiátricas diagnosticadas.
O transtorno do uso de álcool (TUA) é uma condição crônica e progressiva, caracterizada por um padrão problemático de consumo de álcool que leva a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo. Sua prevalência é alta e representa um grave problema de saúde pública, com impactos devastadores na vida individual, familiar e social. A abordagem inicial é crucial para o sucesso do tratamento a longo prazo, e a motivação do paciente é um fator prognóstico importante. A fisiopatologia do TUA envolve alterações neurobiológicas complexas no sistema de recompensa cerebral, levando à compulsão pelo consumo e à síndrome de abstinência quando o álcool é interrompido. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. A suspeita deve surgir em pacientes com queixas relacionadas ao álcool, mudanças de comportamento, problemas sociais ou ocupacionais, e consumo excessivo. O tratamento inicial para o TUA deve focar na desintoxicação segura, que pode exigir internação hospitalar para manejo da síndrome de abstinência, e na reabilitação, que inclui terapia cognitivo-comportamental, grupos de apoio e, em alguns casos, farmacoterapia específica para reduzir o desejo (ex: Naltrexona, Acamprosato). Benzodiazepínicos são reservados para a abstinência. Antidepressivos ou estabilizadores de humor são indicados apenas para comorbidades psiquiátricas diagnosticadas, não como tratamento primário para o TUA.
Os pilares do tratamento inicial incluem a desintoxicação, que visa gerenciar a síndrome de abstinência de forma segura, e a reabilitação, que envolve terapia psicossocial e suporte para manter a sobriedade a longo prazo.
Os benzodiazepínicos são indicados especificamente para o manejo da síndrome de abstinência alcoólica, prevenindo e tratando sintomas como tremores, agitação e convulsões. Não são para uso contínuo ou para reduzir o desejo de beber.
Não, a prescrição de antidepressivos ou estabilizadores de humor não é uma indicação rotineira. Eles são considerados apenas se houver um diagnóstico concomitante de transtorno depressivo, transtorno bipolar ou outras comorbidades psiquiátricas que justifiquem seu uso.
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