HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2025
Uma paciente de 32 anos, gestante de 22 semanas, apresenta toxoplasmose aguda confirmada por sorologia. Qual é a intervenção recomendada para prevenir a transmissão fetal?
Gestante com toxoplasmose aguda e feto não infectado (ou status desconhecido) → Espiramicina para reduzir transmissão vertical.
O manejo da toxoplasmose na gestação depende do status fetal. Se a infecção materna aguda é diagnosticada, mas a infecção fetal não foi confirmada, a espiramicina é iniciada para reduzir a passagem transplacentária do parasita. O esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina, ácido folínico) é reservado para casos de infecção fetal comprovada.
A toxoplasmose adquirida durante a gestação representa um risco significativo de transmissão vertical para o feto, podendo resultar em toxoplasmose congênita com sequelas graves. O manejo adequado depende do diagnóstico precoce da infecção materna e da avaliação do status fetal. O diagnóstico da infecção aguda na gestante é sorológico, baseado na detecção de IgM e/ou soroconversão de IgG. Uma vez confirmada a infecção materna, a primeira medida terapêutica visa reduzir o risco de transmissão transplacentária. Para isso, utiliza-se a espiramicina, um macrolídeo que se concentra na placenta e dificulta a passagem do parasita para o feto. Este tratamento deve ser mantido até o parto ou até que se confirme a infecção fetal. A investigação de infecção fetal é realizada por meio da amniocentese com pesquisa de DNA do parasita por PCR. Se o resultado for negativo, mantém-se a espiramicina. Se for positivo, confirmando a infecção fetal, o tratamento é modificado para o esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico), que atravessa a barreira placentária e trata diretamente o feto, visando minimizar os danos da doença.
A confirmação da infecção fetal é feita pela detecção do DNA do Toxoplasma gondii no líquido amniótico através de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase). A amniocentese para coleta do material é geralmente realizada após a 18ª semana de gestação.
O esquema tríplice (sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico) é indicado quando há confirmação de infecção fetal por PCR no líquido amniótico ou quando há achados ultrassonográficos fortemente sugestivos de toxoplasmose congênita, como calcificações intracranianas ou ventriculomegalia.
A toxoplasmose congênita pode causar sequelas graves, incluindo a tríade de Sabin (coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia), além de microcefalia, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor e surdez. A gravidade das sequelas é maior quanto mais precoce for a infecção na gestação.
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