FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Paciente de 23 anos procura unidade básica de saúde, apresenta úlcera genital com evolução de 3 dias, sem história prévia de vesículas. Tem vida sexual ativa e não possui o hábito de usar preservativos. Considerando que não há possibilidade de solicitação de exames laboratoriais, nem garantia de retorno da paciente ao ambulatório, qual seria a melhor conduta?
Úlcera genital sem exames e sem retorno garantido → tratamento sindrômico para sífilis (Penicilina G benzatina) + cancro mole (Azitromicina).
Em casos de úlcera genital com impossibilidade de exames laboratoriais e sem garantia de retorno do paciente, a conduta ideal é o tratamento sindrômico. Isso implica cobrir as etiologias mais comuns, como sífilis (com Penicilina G benzatina) e cancro mole (com Azitromicina), garantindo a cobertura mesmo com uma única dose para maximizar a adesão.
As úlceras genitais são manifestações comuns de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e representam um importante problema de saúde pública devido ao risco de transmissão do HIV e outras complicações. As principais etiologias incluem sífilis (cancro duro), herpes genital, cancro mole e linfogranuloma venéreo. Em muitos contextos de atenção primária, especialmente em países em desenvolvimento, o acesso a exames laboratoriais específicos pode ser limitado, e a garantia de retorno do paciente para acompanhamento é incerta. Nesses cenários, a abordagem sindrômica é a estratégia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil. Essa abordagem consiste em tratar o paciente com base nos sinais e sintomas apresentados, cobrindo as etiologias mais prováveis e clinicamente relevantes. Para úlcera genital, as principais preocupações são sífilis e cancro mole, devido à sua prevalência e potencial de complicações se não tratadas. A conduta para úlcera genital sem exames e sem garantia de retorno deve incluir tratamento para sífilis (Penicilina G benzatina 2,4 milhões de unidades IM em dose única) e para cancro mole (Azitromicina 1g VO em dose única). O aciclovir seria para herpes, que geralmente se manifesta com vesículas prévias, o que não foi relatado na questão. A doxiciclina é para linfogranuloma venéreo, que é menos comum e requer tratamento mais prolongado, o que dificulta a adesão em pacientes com seguimento incerto. A combinação de Penicilina G benzatina e Azitromicina em dose única maximiza a chance de tratamento efetivo para as principais causas.
As principais causas de úlcera genital incluem sífilis (cancro duro), herpes genital (vesículas que ulceram), cancro mole (Haemophilus ducreyi) e linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis).
O tratamento sindrômico é indicado quando não há acesso a exames laboratoriais ou quando o seguimento do paciente é incerto, garantindo que as etiologias mais comuns e graves sejam cobertas, prevenindo complicações e a transmissão.
A conduta para úlcera genital em paciente sem garantia de retorno deve incluir tratamento para sífilis (Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM dose única) e para cancro mole (Azitromicina 1g VO dose única ou Ciprofloxacino).
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