UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Mulher de 27 anos, sem desejo reprodutivo no momento, encaminhada ao ambulatório de ginecologia por queixa de irregularidade menstrual há 7 meses. Inicialmente, seus ciclos menstruais eram a cada 28 dias, mas nesse ínterim foram se espaçando cada vez mais, até que o último veio com intervalo de 39 dias do anterior. Nega doenças prévias e outros antecedentes familiares. Ao exame físico: bom estado geral, corada, hidratada, IMC: 27,4kg/m² , mamas e pelos pubianos em estágio completo de desenvolvimento, presença de acantose nigricans em axilas e região cervical, acne vulgar e obesidade central. Solicitada ultrassonografia transvaginal, que demonstrou aumento de volume ovariano (13cm³ ). Assinale a alternativa correta
SOP com hiperandrogenismo e resistência à insulina → Metformina (sensibilizador) + Espironolactona (antiandrogênico).
A paciente apresenta quadro clínico sugestivo de Síndrome do Ovário Policístico (SOP) com sinais de hiperandrogenismo (acne, acantose nigricans) e resistência à insulina (obesidade, acantose nigricans), além de irregularidade menstrual e ovários policísticos. Metformina atua na resistência à insulina e espironolactona no hiperandrogenismo, sendo opções terapêuticas válidas.
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio endócrino comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por irregularidade menstrual, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. A resistência à insulina é um componente fisiopatológico central em muitas pacientes com SOP, contribuindo para o hiperandrogenismo e os distúrbios metabólicos. O diagnóstico da SOP é clínico e laboratorial, baseado nos critérios de Rotterdam, e requer a exclusão de outras endocrinopatias. A apresentação clínica é variada, incluindo anovulação crônica (oligomenorreia, amenorreia), sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) e, frequentemente, obesidade e acantose nigricans, indicando resistência à insulina. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Para pacientes sem desejo reprodutivo, o manejo inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e agentes como metformina para a resistência à insulina e espironolactona para o hiperandrogenismo.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
A metformina é um sensibilizador de insulina que reduz a resistência à insulina, diminuindo os níveis de insulina e, consequentemente, a produção ovariana de androgênios, o que pode melhorar a regularidade menstrual e os sintomas de hiperandrogenismo.
A espironolactona é um antiandrogênico que bloqueia os receptores de androgênios e inibe a síntese de testosterona, sendo eficaz no tratamento de sintomas como hirsutismo e acne em pacientes com SOP.
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