Síndrome Gripal em Asmáticos: Conduta com Oseltamivir

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente com 53 anos portador de asma, há vários anos, chega na Emergência do Hospital de Ensino com história há 1 dia de febre, tosse seca, dor de garganta, mialgia, cefaleia e prostração. Foi feito diagnóstico de Síndrome Gripal por Infeção pelo Vírus Influenza. Qual a conduta correta para este caso?

Alternativas

  1. A) Internar para solicitar a pesquisa de vírus respiratório pelo Polymerase Chain Reaction (PCR) para identificar o agente etiológico da Síndrome Gripal e notificar no SINAN;
  2. B) Prescrever antitérmico, colher exame para a pesquisa de vírus respiratório pelo Polymerase Chain Reaction (PCR) para identificar o agente etiológico da Síndrome Gripal e orientar o paciente para retornar se apresentar dificuldade respiratória; 
  3. C) Internar para introduzir antibiótico injetável macrolídeo como azitromicina ou claritromicina, pois a principal complicação de Síndrome Gripal em paciente com asma é a pneumonia e notificar no SINAN. 
  4. D) Prescrever oseltamivir, a simples suspeita de Sindrome Gripal por Infeção pelo Vírus Influenza, preferencialmente nas primeiras 48 horas. Orientar o paciente a retornar se apresentar dificuldade respiratória;

Pérola Clínica

Síndrome Gripal + fator de risco (asma) + < 48h → Oseltamivir, mesmo por suspeita.

Resumo-Chave

Pacientes com Síndrome Gripal e fatores de risco para complicações (como asma) devem receber tratamento antiviral com oseltamivir, preferencialmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, mesmo que o diagnóstico seja apenas por suspeita clínica. Isso visa reduzir a gravidade e a duração da doença, além de prevenir complicações.

Contexto Educacional

A Síndrome Gripal por Infecção pelo Vírus Influenza é uma doença respiratória aguda que pode variar de leve a grave. Em pacientes com comorbidades, como a asma, o risco de complicações é significativamente maior, tornando crucial o reconhecimento precoce e a intervenção adequada. A vigilância epidemiológica e a notificação são importantes para o controle de surtos. A identificação de grupos de risco é fundamental para direcionar as estratégias de tratamento e prevenção, como a vacinação anual contra a Influenza. A asma, por comprometer a função pulmonar, predispõe a quadros mais graves de infecção respiratória viral. O diagnóstico da Síndrome Gripal é primariamente clínico, baseado nos sintomas como febre, tosse, dor de garganta, mialgia e cefaleia. Em pacientes de risco, a suspeita clínica já justifica o início do tratamento antiviral. A pesquisa de vírus respiratório por PCR pode confirmar o agente etiológico, mas não deve atrasar a conduta terapêutica. A fisiopatologia da Influenza envolve a replicação viral no trato respiratório, levando a inflamação e dano epitelial, o que pode ser exacerbado em vias aéreas hiper-reativas como na asma. A conduta correta para pacientes de risco com Síndrome Gripal por Influenza é a prescrição de oseltamivir, um inibidor da neuraminidase, preferencialmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas. A dose e duração do tratamento devem seguir as diretrizes clínicas. Além do antiviral, medidas de suporte como antitérmicos e hidratação são importantes. O paciente deve ser orientado a retornar à emergência caso apresente sinais de alerta, como dificuldade respiratória, dor torácica, confusão mental ou cianose, que podem indicar progressão para Síndrome Respiratória Aguda Grave ou complicações bacterianas secundárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar oseltamivir em casos de Síndrome Gripal?

O oseltamivir é indicado para pacientes com Síndrome Gripal que apresentam fatores de risco para complicações (como asma, doenças cardíacas, imunossupressão, idade <2 ou >60 anos) ou que evoluem com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A administração deve ser preferencialmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas.

Por que o tratamento com oseltamivir é mais eficaz nas primeiras 48 horas?

O oseltamivir atua inibindo a neuraminidase viral, impedindo a liberação de novas partículas virais das células infectadas. Sua eficácia é maior quando iniciado precocemente, pois a replicação viral é mais intensa nas fases iniciais da infecção, reduzindo a duração dos sintomas e o risco de complicações.

Quais são as principais complicações da Influenza em pacientes com asma?

Pacientes com asma têm maior risco de complicações da Influenza, incluindo exacerbações graves da asma, pneumonia viral primária, pneumonia bacteriana secundária e bronquiolite. Essas complicações podem levar a hospitalização e, em casos graves, a óbito.

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