Sífilis Tardia na Gestação: Tratamento e Critérios de Cura

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher com 26 anos, foi atendida pela equipe de triagem de uma unidade de saúde da família localizada na área rural de um município de pequeno porte. Em razão de queixa de atraso de alguns dias da menstruação, a paciente realizou um teste rápido de gravidez, que se revelou positivo. O médico que a atende, após anamnese completa e exame clínico, classifica-a como gestante de baixo risco e solicita testes rápidos para hepatite B, sífilis (teste treponêmico) e HIV. Os resultados de todos os exames, exceto o de sífilis, são negativos. A paciente relata que não tem alergia a medicamentos, que nunca teve sífilis nem realizou tratamento medicamentoso para essa doença. O médico solicita que ela compareça com seu parceiro à próxima consulta, para que ele também realize os testes rápidos e decide, então, iniciar, para a paciente, o tratamento para sífilis tardia.Após solicitar todos os exames laboratoriais para o pré-natal de baixo risco e o exame VDRL confirmar a doença, o médico prescreve que seja administrado à paciente, na unidade de saúde, benzilpenicilina benzatina de 1.200.000 Ul (intramuscular), em

Alternativas

  1. A) 1 dose por semana, durante 3 semanas; o VDRL deverá ser monitorado mensalmente; o indicador de cura é que o VDRL reduza pelo menos 1 diluição em relação ao VDRL constatado no momento do diagnóstico.
  2. B) 2 doses por semana, durante 3 semanas; o VDRL deverá ser monitorado mensalmente; o indicador de cura é que o VDRL reduza pelo menos 2 diluições em relação ao VDRL constatado no momento do diagnóstico.
  3. C) 2 doses por semana, durante 2 semanas; o VDRL deverá ser monitorado no 3°, no 9° e no 12° mês após o diagnóstico; o indicador de cura é que o VDRL reduza pelo menos 1 diluição em relação ao VDRL verificado no momento do diagnóstico.
  4. D) 1 dose por semana, durante 2 semanas; o VDRL deverá ser monitorado no 3°, no 9° e no 12° mês após o diagnóstico; o indicador de cura é que o VDRL reduza pelo menos 2 diluições em relação ao VDRL verificado no momento do diagnóstico.

Pérola Clínica

Sífilis tardia gestante: Penicilina benzatina 2,4 milhões UI IM, 1x/sem, por 3 semanas. Cura = queda ≥2 diluições VDRL.

Resumo-Chave

O tratamento da sífilis tardia em gestantes é feito com benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular, administrada uma vez por semana, durante três semanas consecutivas. A monitorização da resposta ao tratamento é feita pelo VDRL, e a queda de pelo menos duas diluições é um indicador de cura.

Contexto Educacional

A sífilis na gestação é um grave problema de saúde pública devido ao risco de transmissão vertical e desenvolvimento de sífilis congênita, que pode causar aborto, natimorto, prematuridade e diversas sequelas graves no recém-nascido. O diagnóstico e tratamento precoces e adequados são pilares fundamentais do pré-natal, sendo um tema de alta relevância para residentes de Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Medicina de Família e Comunidade. O diagnóstico da sífilis na gestação é feito por testes treponêmicos (rápidos ou ELISA) e confirmado por testes não treponêmicos (VDRL ou RPR). A classificação da sífilis (primária, secundária, latente precoce, latente tardia ou terciária) é crucial para definir o esquema terapêutico. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, o tratamento preconizado é a benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI IM, uma vez por semana, por três semanas consecutivas. A penicilina é o único antibiótico com eficácia comprovada na prevenção da sífilis congênita. Após o tratamento, a gestante deve ser monitorada mensalmente com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) para avaliar a resposta. A queda de pelo menos duas diluições do título inicial é considerada um indicador de cura. É imperativo que o parceiro sexual também seja testado e tratado para evitar a reinfecção. O conhecimento detalhado desses protocolos é essencial para garantir um pré-natal seguro e prevenir a sífilis congênita, um objetivo primordial da saúde materno-infantil.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema de tratamento para sífilis tardia em gestantes?

Para sífilis tardia (latente tardia ou de duração ignorada) em gestantes, o tratamento consiste em benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI por via intramuscular, administrada em três doses, com intervalo de uma semana entre as doses (total de 7.200.000 UI).

Como é feito o monitoramento da resposta ao tratamento da sífilis na gestação?

O monitoramento é feito com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) mensalmente durante a gestação e após o parto. A queda de pelo menos duas diluições do título inicial é considerada um critério de resposta ou cura.

Por que é importante tratar o parceiro sexual da gestante com sífilis?

É crucial tratar o parceiro sexual para evitar a reinfecção da gestante e interromper a cadeia de transmissão da sífilis. O parceiro deve ser testado e tratado simultaneamente, seguindo o mesmo esquema da gestante, se a sífilis for de duração ignorada ou tardia.

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