INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Mulher de 55 anos vai à consulta ginecológica de rotina referindo ter lesão endurecida em vulva, sem secreção, não dolorosa, com nódulo inguinal, que regrediu após 15 dias sem nenhum tratamento. No momento da consulta, o teste rápido para sífilis mostrou-se positivo. Nesse caso, a conduta mais adequada para essa paciente é
Sífilis primária (cancro duro) + teste rápido treponêmico (+) → Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, dose única, IM.
Diante de uma história clínica clássica de sífilis primária (cancro duro) e um teste rápido treponêmico positivo, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Não se deve aguardar o resultado de um teste não treponêmico (VDRL) para tratar, pois o atraso aumenta o risco de progressão da doença e transmissão.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Seu diagnóstico e manejo adequados são cruciais para prevenir a progressão para estágios mais graves e interromper a cadeia de transmissão. A abordagem diagnóstica envolve o uso de dois tipos de testes sorológicos: treponêmicos e não treponêmicos. Os testes treponêmicos, como os testes rápidos e o FTA-ABS, detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum e, uma vez positivos, geralmente permanecem assim por toda a vida. Os testes não treponêmicos, como o VDRL e o RPR, detectam anticorpos contra antígenos liberados pela lesão celular e seus títulos se correlacionam com a atividade da doença. No cenário de uma paciente com lesão clínica sugestiva de sífilis primária (cancro duro) e um teste rápido (treponêmico) positivo, o diagnóstico é confirmado e o tratamento deve ser iniciado sem demora. O tratamento de escolha para sífilis primária, secundária e latente recente (menos de 1 ano) é uma dose única de 2,4 milhões de unidades de Penicilina G Benzatina, por via intramuscular. O esquema de três doses semanais é reservado para sífilis latente tardia ou de duração indeterminada e sífilis terciária. Após o tratamento, o seguimento é feito com VDRL quantitativo para monitorar a resposta terapêutica, conhecida como controle de cura.
O cancro duro é a lesão inicial da sífilis. Caracteriza-se por ser uma úlcera única, de base endurecida, limpa (sem secreção purulenta), com bordas bem definidas e indolor. Geralmente é acompanhada de linfadenopatia regional não supurativa e regride espontaneamente em 3 a 6 semanas, mesmo sem tratamento.
Na sífilis primária, secundária e latente recente (com menos de um ano de duração), o Treponema pallidum é altamente sensível à penicilina. Uma dose única de 2,4 milhões de unidades de penicilina G benzatina por via intramuscular é suficiente para manter níveis treponemicidas no sangue por tempo adequado para erradicar a infecção.
O controle de cura é realizado com testes não treponêmicos quantitativos (VDRL ou RPR). Espera-se uma queda de pelo menos duas diluições no título (ex: de 1:64 para 1:16) em 6 meses para sífilis primária e secundária, e em 12 meses para sífilis latente. A sororreversão (negativação) pode ou não ocorrer.
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