Sífilis Latente Tardia: Tratamento com Penicilina Benzatina

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Um trabalhador rural de 65 anos de idade com quadro demencial leve apresenta títulos séricos de VDRL de 1:16 e pesquisa de Anticorpo Antitreponêmico Fluorescente (FTA) positivo. O restante de sua avaliação é negativo, incluindo análise do LCR com proteína e glicose normais, menos de 6 leucócitos e VDRL no líquor negativo. Não há relato de tratamento prévio para sífilis ou alergia a antibióticos. O tratamento mais adequado é:

Alternativas

  1. A) Penicilina G cristalina, 10 milhões de unidades, IV, durante 7 dias.
  2. B) Penicilina procaína, 600.000 unidades/dia, IM, durante 6 dias.
  3. C) Penicilina benzatina, 2,4 milhões de unidades, IM, uma vez por semana (3 doses).
  4. D) Ceftriaxona 2g/dia, IV dose única.
  5. E) Azitromicina 1g/dia, IV durante 7 dias.

Pérola Clínica

Sífilis latente tardia (>1 ano) ou de duração indeterminada com LCR normal → Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM, 1x/semana por 3 semanas.

Resumo-Chave

Um paciente com sorologia positiva para sífilis (VDRL e FTA-ABS), sem sinais clínicos e com LCR normal, é classificado como tendo sífilis latente. Se a infecção ocorreu há mais de um ano ou a duração é indeterminada, o tratamento correto é o esquema estendido com três doses semanais de penicilina benzatina.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, com diferentes estágios clínicos. A fase latente é caracterizada por sorologia reativa na ausência de sinais e sintomas clínicos. Ela é subdividida em latente recente (menos de 1 ano de infecção) e latente tardia (mais de 1 ano ou duração indeterminada), uma distinção crucial para a definição do tratamento. O diagnóstico baseia-se em testes sorológicos: um não treponêmico (como o VDRL) para triagem e seguimento, e um treponêmico (como o FTA-ABS) para confirmação. Em casos de sífilis latente tardia, é imperativo descartar o acometimento do sistema nervoso central (neurossífilis) através da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que deve mostrar celularidade, proteinorraquia e VDRL normais. Com a neurossífilis descartada, o tratamento de escolha para a sífilis latente tardia é a Penicilina G benzatina, na dose de 2,4 milhões de unidades, por via intramuscular, uma vez por semana, por três semanas consecutivas. Este esquema prolongado é necessário para erradicar os treponemas, que possuem um metabolismo lento e podem persistir em tecidos por longos períodos. Aderir ao esquema correto é vital para prevenir a progressão para a sífilis terciária, que pode causar danos cardiovasculares e neurológicos irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quando a punção lombar é indicada na investigação de sífilis?

A análise do LCR é indicada em pacientes com sífilis de duração indeterminada, latente tardia ou terciária, especialmente se houver sinais/sintomas neurológicos ou oftalmológicos. Também é recomendada em todos os pacientes com HIV e sífilis, independentemente do estágio clínico.

Por que o tratamento da sífilis latente tardia exige 3 doses de penicilina?

O Treponema pallidum tem um ciclo de replicação lento. O esquema de três doses semanais garante níveis treponemicidas de penicilina no sangue por um período prolongado, assegurando a erradicação do microrganismo em estágios mais avançados, quando a carga bacteriana pode estar em santuários.

Como diferenciar sífilis latente recente de tardia?

A sífilis latente é classificada como recente se houver evidência de infecção nos últimos 12 meses, como uma soroconversão documentada ou história de lesões primárias/secundárias. Na ausência dessas informações, ela é classificada como tardia ou de duração indeterminada.

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