FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Homem, 20 anos, em união estável há 12 meses com mulher com 18 anos. Paciente em atendimento na UBS relata que estava assintomático. Foi convocado para ir a UBS, pois a sua companheira está pretendendo engravidar e foi identificado que entre os exames solicitados para ela a sorologia para sífilis (VDRL) é positiva. Informa que está sendo tratada para sífilis e foi notificada. Ele refere que, antes de conhecer a companheira atual, teve múltiplas parceiras sexuais. Foi solicitado que ele fizesse todos os exames. Embora assintomático a sorologia para sífilis (VDRL) dele é positiva. Qual a conduta?
Parceiro com sífilis + VDRL positivo assintomático = Sífilis latente (primária/secundária/latente recente) → Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI IM dose única.
Em casos de sífilis latente recente (adquirida há menos de 1 ano, ou quando o tempo de infecção é desconhecido mas não há evidências de sífilis terciária ou neurossífilis), a conduta padrão é o tratamento com Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única. A notificação compulsória é obrigatória.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar diversas fases clínicas. A sífilis latente é caracterizada pela ausência de sinais e sintomas clínicos, com sorologia reagente. É um desafio diagnóstico e terapêutico, especialmente no contexto de parceiros sexuais de indivíduos com sífilis confirmada, como no caso apresentado. A epidemiologia da sífilis tem mostrado um recrudescimento em diversas populações, tornando seu manejo um ponto crítico na saúde pública. O diagnóstico da sífilis latente é feito por meio de testes sorológicos, como o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e testes treponêmicos (FTA-Abs, TP-HA). Um VDRL positivo em um paciente assintomático, especialmente se o parceiro sexual tem sífilis, indica a necessidade de tratamento. A diferenciação entre sífilis latente recente e tardia é importante para definir o esquema terapêutico, sendo a recente definida por infecção há menos de um ano ou quando não há dados para determinar o tempo de infecção, mas sem evidências de sífilis terciária ou neurossífilis. A conduta para sífilis latente recente é o tratamento com Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, administrada por via intramuscular em dose única (1,2 milhão UI em cada glúteo). É fundamental orientar o paciente sobre o uso de preservativos e marcar o retorno para acompanhamento sorológico, que avalia a queda dos títulos do VDRL. A notificação compulsória da sífilis é uma medida de saúde pública obrigatória para controle da doença.
A sífilis latente é classificada como recente (até 1 ano de infecção) ou tardia (mais de 1 ano ou tempo indeterminado). A sífilis latente recente é tratada com Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI IM em dose única, enquanto a tardia requer 3 doses semanais.
A Penicilina Benzatina é o tratamento de escolha devido à sua eficácia comprovada contra o Treponema pallidum, baixo custo, fácil administração e longa duração da ação, mantendo níveis terapêuticos por semanas.
A notificação compulsória da sífilis é crucial para o monitoramento epidemiológico da doença, permitindo que as autoridades de saúde avaliem a prevalência, identifiquem surtos e implementem estratégias de controle e prevenção eficazes.
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