Sífilis na Gestação: Diagnóstico e Tratamento Essencial

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 31 anos de idade comparece a primeira consulta de pré-natal. Paciente encontra-se com 26 semanas de gestação e traz resultado de exames solicitados em outro serviço de saúde. O resultado do VDRL é positivo 1:4 e FTA-Abs também encontra- se positivo. A conduta correta é:

Alternativas

  1. A)  Repetir VDRL em 2 semanas. Se houver aumento dos títulos indicar penicilina benzatina 2.400.000 IM por 3 semanas, testar e tratar o parceiro
  2. B)  Tratar com penicilina benzatina 2.400.000 IM por 3 semanas, testar e tratar o parceiro.
  3. C)  Tratar com penicilina cristalina 5.000.000 EV por 3 semanas, testar e tratar o parceiro.
  4. D)  Realizar teste rápido no momento da consulta. Se positivo, Tratar com penicilina cristalina 5.000.000 EV por 3 semanas.

Pérola Clínica

Gestante com VDRL e FTA-Abs positivos (sífilis ativa) → Penicilina Benzatina 2.400.000 UI IM por 3 semanas + tratar parceiro.

Resumo-Chave

O diagnóstico de sífilis ativa em gestantes (VDRL e FTA-Abs positivos) exige tratamento imediato com penicilina benzatina, que é o único antibiótico comprovadamente eficaz na prevenção da sífilis congênita. É crucial tratar o parceiro simultaneamente para evitar a reinfecção e garantir a erradicação da doença.

Contexto Educacional

A sífilis na gestação é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum, com potencial de transmissão vertical para o feto, resultando na sífilis congênita. Esta é uma condição grave que pode levar a aborto espontâneo, natimorto, prematuridade, baixo peso ao nascer e uma série de manifestações clínicas no recém-nascido, incluindo malformações e sequelas neurológicas. O rastreamento universal da sífilis em todas as gestantes, idealmente no primeiro trimestre, no terceiro trimestre e no momento do parto, é crucial para a prevenção. O diagnóstico da sífilis na gestação é realizado por meio de testes sorológicos. Inicialmente, um teste treponêmico (como FTA-Abs ou teste rápido) é realizado. Se reagente, deve ser confirmado por um teste não treponêmico (como VDRL ou RPR), que também fornece a titulação e é útil para monitorar a atividade da doença e a resposta ao tratamento. A presença de ambos os testes reagentes indica sífilis ativa, e a titulação do VDRL ajuda a classificar o estágio (primária, secundária, latente precoce ou tardia). O tratamento de escolha para sífilis em qualquer estágio da gestação é a penicilina benzatina, pois é o único antibiótico que comprovadamente atravessa a barreira placentária em concentrações treponemicidas. A dose e o esquema variam conforme o estágio da doença. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada (como no caso da questão, onde não há informações sobre o tempo de infecção), o tratamento consiste em 2.400.000 UI de penicilina benzatina IM, uma vez por semana, por três semanas consecutivas. É imperativo que o parceiro sexual também seja testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante. A falha no tratamento adequado da gestante ou do parceiro é a principal causa de sífilis congênita.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de sífilis ativa na gestação?

O diagnóstico de sífilis ativa na gestação é feito pela combinação de um teste não treponêmico (como o VDRL) reagente, com qualquer titulação, e um teste treponêmico (como o FTA-Abs ou teste rápido) também reagente. A titulação do VDRL ajuda a monitorar a atividade da doença e a resposta ao tratamento.

Qual o tratamento de escolha para sífilis na gestação?

O tratamento de escolha para sífilis na gestação é a penicilina benzatina. A dose e a duração dependem do estágio da sífilis. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, como no caso da questão, o esquema é de 2.400.000 UI IM por semana, por 3 semanas consecutivas.

Por que é fundamental tratar o parceiro sexual da gestante com sífilis?

É fundamental tratar o parceiro sexual da gestante simultaneamente para prevenir a reinfecção materna, que poderia levar a um novo ciclo de transmissão vertical e sífilis congênita. O tratamento do parceiro interrompe a cadeia de transmissão e garante a eficácia do tratamento da gestante.

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