Psicofármacos na Gestação: Riscos e Segurança no Tratamento

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Os transtornos psiquiátricos são comuns em mulheres no período reprodutivo, e seu tratamento durante a gestação é algo complexo. Marque V (VERDADEIRO) e F (FALSO) e, após, assinale a alternativa CORRETA: (   ) Para o tratamento da depressão durante a gestação, dentre os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), a fluoxetina e a sertralina são os mais bem estudados e parecem ser os mais seguros. (   ) O lítio ainda é o estabilizador do humor mais seguro para uso durante a gestação, considerando-se uma relação risco/benefício, embora esteja associado a malformações. (   ) O uso do ácido valpróico durante a gestação está relacionado a defeitos em ossos, membros, pele, cabeça, pescoço e músculos do bebê. (   ) Gestantes que fazem uso de antipsicóticos atípicos possuem risco aumentado de ganho de peso e de desenvolver diabetes gestacional.

Alternativas

  1. A) V / F / V / F
  2. B) F / F / F / V
  3. C) V / V / V / V
  4. D) F / V / F / F

Pérola Clínica

Tratamento psiquiátrico na gestação: ISRS (fluoxetina/sertralina) e lítio (risco/benefício) são opções, mas valproato é teratogênico e antipsicóticos atípicos ↑ risco de diabetes gestacional.

Resumo-Chave

O manejo de transtornos psiquiátricos na gestação exige cuidadosa avaliação risco-benefício. Fluoxetina e sertralina são os ISRS mais estudados e considerados mais seguros. O lítio, apesar de associado a malformações (anomalia de Ebstein), pode ser usado com monitoramento rigoroso em casos selecionados. O ácido valpróico é altamente teratogênico, e antipsicóticos atípicos aumentam o risco de ganho de peso e diabetes gestacional.

Contexto Educacional

O manejo de transtornos psiquiátricos em mulheres grávidas é um desafio clínico complexo, exigindo um balanço delicado entre o controle da doença materna e a minimização dos riscos para o feto. A decisão de iniciar ou continuar um tratamento psicofarmacológico deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, o histórico de resposta ao tratamento e os potenciais efeitos teratogênicos ou outros riscos para o desenvolvimento fetal. Para a depressão, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são frequentemente a primeira linha. Dentre eles, a fluoxetina e a sertralina são os mais extensivamente estudados e, em geral, considerados os mais seguros, com um perfil de risco-benefício favorável. No entanto, todos os ISRS podem estar associados a um pequeno risco de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido e síndrome de abstinência neonatal. Em relação aos estabilizadores de humor, o lítio, apesar de associado a um risco aumentado de anomalia de Ebstein (malformação cardíaca) se usado no primeiro trimestre, ainda pode ser considerado em casos de transtorno bipolar grave, onde os benefícios superam os riscos, com monitoramento fetal rigoroso. Por outro lado, o ácido valpróico é um dos fármacos mais teratogênicos, associado a uma gama de malformações congênitas graves, incluindo defeitos do tubo neural, e seu uso é amplamente desaconselhado na gestação. Antipsicóticos atípicos, embora úteis, podem aumentar o risco de ganho de peso materno e diabetes gestacional, exigindo monitoramento metabólico.

Perguntas Frequentes

Quais ISRS são considerados mais seguros para depressão na gestação?

A fluoxetina e a sertralina são os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) mais estudados e geralmente considerados os mais seguros para o tratamento da depressão durante a gestação, devido ao perfil de segurança mais estabelecido.

Qual o risco do uso de lítio durante a gravidez?

O lítio, embora eficaz como estabilizador de humor, está associado a um risco aumentado de malformações cardíacas, principalmente a anomalia de Ebstein, especialmente se usado no primeiro trimestre. Seu uso deve ser cuidadosamente ponderado e monitorado.

Por que o ácido valpróico é contraindicado na gestação?

O ácido valpróico é fortemente contraindicado na gestação devido ao seu alto potencial teratogênico, associado a defeitos do tubo neural, malformações craniofaciais, cardíacas e de membros, além de riscos para o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê.

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