Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Mulher de 70 anos de idade refere intolerância ao esforço por cansaço e dispneia para andar 1 quarteirão no plano há cerca 3 meses. Refere episódios de tosse há cerca de 1 ano, sem emagrecimento ou febre. Nega inchaços e nega intolerância ao decúbito. Apresenta episódios de chiado esporadicamente. É tabagista de 60 maços-ano e possui diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica em uso de anlodipina 5 mg ao dia. Ao exame clínico apresenta-se em bom estado geral, hidratada, corada, acianótica, anictérica, afebril; orientada no tempo e espaço; estase jugular presente a 45 graus; ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares diminuídos sem estertores ou sibilos, frequência respiratória 24 rpm; bulhas rítmicas em 2 tempos sem sopros, pressão arterial 100x60 mmHg, frequência cardíaca 88 bpm; abdome com fígado a 4 cm do rebordo costal direito, sem ascite; membros inferiores sem edemas e sem sinais de tromboses; restante do exame clínico sem alterações significativas. Levando-se em consideração o diagnóstico mais provável que justifique as queixas apresentadas por esta paciente, assinale a alternativa correta em relação ao tratamento de primeira linha mais indicado para este caso.
DPOC: Tabagismo + dispneia + tosse crônica. Tratamento inicial = broncodilatadores de longa ação (LABA/LAMA).
A paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), com histórico de tabagismo intenso e sintomas respiratórios crônicos. O tratamento de primeira linha para DPOC, especialmente em pacientes sintomáticos, envolve o uso de broncodilatadores de longa ação, como os agonistas beta-2 de longa ação (LABA) e/ou antagonistas muscarínicos de longa ação (LAMA), que melhoram a função pulmonar e reduzem os sintomas.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, prevenível e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo devido a anormalidades das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. A prevalência aumenta com a idade e o tempo de exposição, representando uma importante causa de morbimortalidade global. O diagnóstico da DPOC é clínico, baseado na história de exposição a fatores de risco e sintomas como dispneia, tosse crônica e produção de escarro, e confirmado por espirometria que demonstra limitação persistente do fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador). A suspeita deve surgir em pacientes tabagistas ou ex-tabagistas com mais de 40 anos que apresentem esses sintomas. O exame físico pode revelar sinais de hiperinsuflação pulmonar, murmúrios vesiculares diminuídos e, em casos avançados, sinais de cor pulmonale como estase jugular e hepatomegalia. O tratamento da DPOC visa aliviar os sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. A cessação do tabagismo é a intervenção mais importante. Para o tratamento farmacológico de primeira linha em pacientes sintomáticos, utilizam-se broncodilatadores de longa ação, como os agonistas beta-2 de longa ação (LABA) e/ou antagonistas muscarínicos de longa ação (LAMA), que podem ser usados isoladamente ou em combinação. A escolha e a escalada terapêutica dependem da gravidade dos sintomas e do histórico de exacerbações do paciente, conforme as diretrizes GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease).
Os principais sinais e sintomas da DPOC incluem dispneia progressiva, tosse crônica (muitas vezes produtiva), e histórico de exposição a fatores de risco, como tabagismo. Chiado e opressão torácica também podem estar presentes, e o exame físico pode revelar murmúrios vesiculares diminuídos.
Broncodilatadores de longa ação (LABA e/ou LAMA) são a primeira linha porque promovem broncodilatação sustentada, aliviando a dispneia, melhorando a tolerância ao exercício e reduzindo a frequência de exacerbações. Eles atuam relaxando a musculatura lisa das vias aéreas, facilitando a passagem do ar.
Corticoides inalatórios (CI) são geralmente adicionados ao tratamento com broncodilatadores de longa ação em pacientes com DPOC que apresentam exacerbações frequentes (duas ou mais moderadas por ano ou uma grave que necessite de hospitalização), ou naqueles com eosinofilia sanguínea elevada, indicando um componente inflamatório responsivo a CI.
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