FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015
Paciente 57 anos, portador de hipertensão arterial e perfuração esofágica há 48 horas em terço inferior do esôfago. Indique a alternativa CORRETA.
Perfuração esofágica > 24-48h, instabilidade ou contaminação extensa → desvio do trânsito (esofagostomia/gastrostomia).
Perfurações esofágicas com mais de 24-48 horas de evolução, especialmente se houver sinais de sepse, contaminação mediastinal ou pleural significativa, ou instabilidade hemodinâmica, raramente são passíveis de reparo primário bem-sucedido. Nesses casos, o desvio do trânsito alimentar e a drenagem são condutas preferenciais.
A perfuração esofágica é uma emergência cirúrgica grave, com alta morbimortalidade devido à rápida contaminação do mediastino e da cavidade pleural. As causas incluem iatrogenia (endoscopia), trauma e síndrome de Boerhaave. O diagnóstico precoce é fundamental, mas o manejo varia significativamente dependendo do tempo de apresentação e da condição do paciente. Perfurações diagnosticadas nas primeiras 12-24 horas, em pacientes estáveis e com pouca contaminação, podem ser tratadas com reparo primário. No entanto, após 24-48 horas, a inflamação e a infecção tecidual tornam o reparo primário de alto risco de falha. Nesses casos, especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sepse, o desvio do trânsito alimentar e a drenagem são preferíveis. A esofagostomia cervical (para desviar a saliva) e a gastrostomia (para nutrição) são procedimentos que permitem o controle da contaminação e a estabilização do paciente, postergando um reparo definitivo para um momento mais seguro. A escolha da conduta é um ponto crítico em provas de residência, exigindo a avaliação cuidadosa do cenário clínico.
Os fatores incluem o tempo desde a perfuração, o tamanho e localização da lesão, a extensão da contaminação mediastinal/pleural, a condição clínica do paciente e a presença de doença esofágica subjacente.
O tratamento conservador é reservado para perfurações pequenas, contidas, diagnosticadas precocemente (<24h), sem sinais de sepse, com drenagem adequada para o lúmen e sem obstrução distal, geralmente com uso de antibióticos e jejum.
Em perfurações tardias, a inflamação e infecção tecidual tornam o reparo primário inviável. A esofagostomia cervical desvia a saliva e a gastrostomia permite a nutrição enteral, controlando a contaminação e permitindo a cicatrização secundária ou um reparo definitivo em um segundo tempo.
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