Pancreatite Biliar no Puerpério: Conduta Definitiva

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma jovem de 25 anos, com IMC: 38 kg/m², teve um episódio de pancreatite aguda grave durante a gestação, desencadeada pela tentativa de remover um cálculo de 1,0 cm no colédoco distal, através de papilotomia endoscópica (CPRE). Tinha colelitíase sintomática. O procedimento não teve sucesso e a paciente ficou internada por pancreatite aguda. Recuperou-se, a gestação chegou a termo, foi feito o parto e a paciente está agora no puerpério. A melhor opção terapêutica é:

Alternativas

  1. A) Nova colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, com papilotomia tática ampla e retirada de cálculo.
  2. B) Colecistectomia convencional, com coledolitotomia e drenagem com Kehr.
  3. C) Colecistectomia com coledocolitotomia e drenagem da via biliar, por via laparoscópica.
  4. D) Nova papilotomia endoscópica, com passagem de prótese biliar, e colecistectomia videolaparoscópica.
  5. E) Colecistectomia e derivação biliodigestiva.

Pérola Clínica

Pancreatite biliar grave + CPRE falha + puerpério → Colecistectomia laparoscópica com coledocolitotomia é a melhor opção.

Resumo-Chave

A paciente apresenta histórico de pancreatite biliar grave e colelitíase sintomática com cálculo no colédoco não resolvido por CPRE. No puerpério, a colecistectomia laparoscópica com exploração da via biliar (coledocolitotomia) é a conduta definitiva e mais segura para remover o cálculo e prevenir novos episódios de pancreatite, sendo minimamente invasiva.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda biliar é uma complicação grave da colelitíase, especialmente durante a gestação, devido às alterações hormonais e fisiológicas que favorecem a formação e migração de cálculos. O manejo desses casos exige uma abordagem cuidadosa e multidisciplinar. Após a resolução do quadro agudo e, idealmente, no puerpério, a remoção da vesícula biliar (colecistectomia) é essencial para prevenir recorrências. Quando há um cálculo persistente no colédoco, como no caso da paciente, e a CPRE falhou, a exploração cirúrgica da via biliar torna-se necessária. A colecistectomia com coledocolitotomia por via laparoscópica representa a melhor opção, pois é minimamente invasiva, permite a remoção definitiva do cálculo do colédoco e da vesícula biliar, e oferece uma recuperação mais rápida em comparação com a cirurgia aberta. É fundamental que residentes compreendam a sequência de tratamento e as indicações para cada procedimento, visando a segurança e o melhor desfecho para a paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da colecistectomia após um episódio de pancreatite biliar?

A colecistectomia é crucial para prevenir a recorrência de pancreatite biliar, pois remove a fonte dos cálculos (a vesícula biliar) que podem migrar para o ducto biliar comum e causar obstrução e inflamação do pâncreas.

Quando a coledocolitotomia laparoscópica é indicada?

A coledocolitotomia laparoscópica é indicada quando há cálculos no ducto biliar comum (colédoco) que não puderam ser removidos por CPRE ou quando se opta por uma abordagem cirúrgica única para remover tanto a vesícula quanto os cálculos do colédoco.

Quais são os riscos de não tratar a colelitíase sintomática após pancreatite biliar?

Não tratar a colelitíase sintomática após pancreatite biliar aumenta significativamente o risco de novos episódios de pancreatite aguda, colecistite aguda, colangite e icterícia obstrutiva, podendo levar a complicações graves e até fatais.

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