TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2025
Caso clínico: Homem, 56 anos, engenheiro civil, procura avaliação de excesso de peso e risco cardiometabólico. Ganha peso há anos, com cansaço aos esforços e roncos noturnos. Hipertenso há 8 anos (losartana 100 mg/dia). Nega diabetes. Pai faleceu por IAM aos 62 anos. PA: 146x92 mmHg, IMC: 29,6 kg/m², cintura: 106 cm, FC: 78 bpm. Laboratório: • Glicemia de jejum: 104 mg/dL; • HbA1c: 5,8%; • TG: 245 mg/dL; • HDL-c: 34 mg/dL; • LDL-c: 132 mg/dL; • PCR-us: 4,9 mg/L. Escore clínico de risco para SAOS (STOP-BANG): 6 pontos. Qual a melhor estratégia de manejo do excesso de peso e da suspeita de SAOS neste momento?
Sobrepeso + Comorbidade (SAOS/HAS) → Indicação de farmacoterapia (ex: Semaglutida).
Pacientes com IMC ≥ 27 kg/m² e comorbidades (como HAS e SAOS) têm indicação de tratamento farmacológico associado à mudança de estilo de vida.
O manejo do excesso de peso evoluiu de uma abordagem puramente comportamental para uma visão de doença crônica neuroendócrina. A associação de intervenções no estilo de vida com análogos do receptor de GLP-1, como a semaglutida, potencializa a perda de peso e a remissão de comorbidades. A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma comorbidade frequente e subdiagnosticada que eleva drasticamente o risco cardiovascular. A redução de 10-15% do peso corporal pode reduzir significativamente o índice de apneia-hipopneia (IAH). Portanto, em pacientes com alto risco cardiovascular e sobrepeso, a intervenção farmacológica precoce visa não apenas a estética, mas a redução de desfechos maiores como IAM e AVC.
O tratamento farmacológico está indicado para pacientes com IMC ≥ 30 kg/m² (obesidade) ou IMC ≥ 27 kg/m² (sobrepeso) que apresentem comorbidades relacionadas ao peso, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemia ou apneia obstrutiva do sono. A escolha do fármaco deve considerar o perfil de segurança, contraindicações e o potencial de perda ponderal necessário para a melhora das comorbidades.
A semaglutida 2,4 mg (aprovada para obesidade) demonstrou em ensaios clínicos (programa STEP) uma redução significativa de peso e melhora de parâmetros cardiometabólicos. No caso descrito, o paciente apresenta sobrepeso (IMC 29,6), hipertensão, dislipidemia e alta probabilidade de SAOS (STOP-BANG 6). A perda de peso é o pilar central para o controle dessas condições, e a semaglutida é uma das ferramentas mais potentes disponíveis atualmente.
O STOP-BANG é uma ferramenta de triagem para SAOS. Pontuações de 0-2 indicam baixo risco, 3-4 risco intermediário e 5-8 alto risco. Com 6 pontos, o paciente tem alta probabilidade de apneia moderada a grave, justificando a solicitação de polissonografia para confirmação diagnóstica e planejamento terapêutico, que frequentemente inclui CPAP além da perda de peso.
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