Neurotuberculose Pediátrica: Tratamento e Duração

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente com 4 anos de vida, peso 11 kg, com história iniciada há 3 semanas com queda do estado geral, e há 12 dias com hiporexia e hipoatividade, passou em avaliação na UPA sendo diagnosticado faringite e iniciado antibiótico, porém sem melhora. Paciente com regressão do desenvolvimento neurológico, com dificuldade de deambular, constipação e diurese em fraldas sendo que paciente já tinha controles, recusa de alimentação e ingestão de líquido e sólidos com piora clínica importante com rebaixamento do nível de consciência, sonolência, crise convulsiva evoluindo para estado de mal epiléptico sendo encaminhado para o hospital. Admitida na UTI pediátrica, sendo realizado tomografia de crânio e coleta de liquor com leucócitos 100, linfócitos 80%, proteína 189 e glicose de 28% bacterioscopia negativa. Iniciado ceftriaxona e vancomicina e associado aciclovir. Na coleta da história epidemiológica, houve uma história de contato com amiga de mãe com tuberculose e mãe tem sintomas de tosse há mais de 3 semanas. Com relação ao tratamento da paciente mediante suspeita clínica de neurotuberculose, qual a conduta a ser realizada para o tratamento da paciente.

Alternativas

  1. A) Iniciar esquema com formação dose fixa combinada com rifampicina, isoniazida, pirazinamida 2 comprimidos por 2 meses e uso de 2 cp de rifampicina e isoniazida por mais 8 meses, além de uso de dexametasona 0,4 mg/kg/ dia de 4 a 8 semanas.
  2. B) Iniciar esquema rifampicina, isoniazida, pirazinamida 3 comprimidos por 2 meses e mais 10 meses de uso de 3 cp de rifampicina e isoniazida por mais 10 meses, além de uso de dexametasona 0,4 mg/kg/ dia EV de 4 a 8 semanas.
  3. C) Iniciar esquema com formação dose fixa combinada com rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol 2 comprimidos por 2 meses e mais 8 meses de uso de 3 cp de rifampicina e isoniazida por mais 10 meses, além de uso de dexametasona 0,4 mg/kg/ dia EV de 4 a 8 semanas.
  4. D) Iniciar esquema com formação dose fixa combinada com rifampicina, isoniazida, pirazinamida 2 comprimidos por 2 meses e mais 10 meses de uso de 2 cp de rifampicina e isoniazida por mais 10 meses, além de uso de dexametasona 0,4 mg/kg/ dia de 4 a 8 semanas.

Pérola Clínica

Neurotuberculose pediátrica: esquema RIF+INH+PZA por 2 meses, seguido de RIF+INH por 10 meses (total 12 meses), SEMPRE com dexametasona.

Resumo-Chave

O tratamento da neurotuberculose em crianças é prolongado, geralmente 12 meses, e inclui a fase intensiva com rifampicina, isoniazida e pirazinamida, seguida da fase de manutenção com rifampicina e isoniazida. O uso de corticosteroides (dexametasona) é mandatório para reduzir a inflamação e sequelas neurológicas.

Contexto Educacional

A neurotuberculose é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, especialmente desafiadora em crianças devido à sua apresentação inespecífica e ao risco de sequelas neurológicas permanentes. É crucial suspeitar da doença em crianças com regressão do desenvolvimento, convulsões e alterações liquóricas sugestivas, especialmente com histórico de contato. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para um bom prognóstico. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para o sistema nervoso central, formando tubérculos que podem romper e liberar bacilos no espaço subaracnóideo, causando meningite. O líquor tipicamente mostra pleocitose linfocítica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. A tomografia de crânio pode revelar hidrocefalia, infartos e realce meníngeo. O tratamento padrão para neurotuberculose pediátrica consiste em um esquema de 12 meses, com uma fase intensiva de 2 meses (rifampicina, isoniazida, pirazinamida) e uma fase de manutenção de 10 meses (rifampicina, isoniazida). A dexametasona é um componente essencial do tratamento, administrada por 4 a 8 semanas, para reduzir a inflamação e melhorar os resultados clínicos. O acompanhamento rigoroso é necessário para monitorar a adesão e os efeitos adversos dos medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais medicamentos no tratamento da neurotuberculose pediátrica?

Os principais medicamentos são rifampicina, isoniazida e pirazinamida na fase intensiva, seguidos por rifampicina e isoniazida na fase de manutenção. O etambutol pode ser adicionado em casos de resistência ou alta prevalência.

Por que a dexametasona é utilizada no tratamento da neurotuberculose?

A dexametasona é utilizada para reduzir a inflamação no sistema nervoso central, diminuindo o edema cerebral, a pressão intracraniana e a formação de exsudatos, o que minimiza o risco de sequelas neurológicas e mortalidade.

Qual a duração total do tratamento para neurotuberculose em crianças?

O tratamento da neurotuberculose em crianças é prolongado, geralmente com uma fase intensiva de 2 meses e uma fase de manutenção de 10 meses, totalizando 12 meses. Em casos menos graves, pode ser de 9 meses.

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