Nefropatia por IgA: Tratamento da Proteinúria e DRC

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 55 anos, hipertenso em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dja e atenolol 50 mg 2x ao dia, refere edema de membros inferiores e redução do volume de diurese há 30 dias. Submetido a biopsia renal, cujos achados foram compatíveis com nefropatia por IgA. Exame físico: PA: 110 x 70 mmHg. FC: 65 bpm. Ausculta respiratória com crepitações em terço inferior bilateral. Edema de membros inferiores 3+/4+. Exames laboratoriais: Cr: 1,5 mg/d (taxa de filtração glomerular estimada: 45 mL/min/1.73 m²); Ur: 85 mg/dL, K: 5.0 mg/dL; urina rotina densidade: 1018, proteinas: 300 mg/dL, hemácias: 10/campo. Proteinúria de 24h: 900 mg (volume urinário de 1000 mL). Qual medicação deve ser associada ao tratamento?

Alternativas

  1. A) Micofenolato mofetil.
  2. B) Ciclosporina.
  3. C) Prednisona.
  4. D) Losartana.

Pérola Clínica

Nefropatia por IgA com proteinúria >500mg/dia e DRC: Bloqueio do SRAA (IECA/BRA) é a primeira linha para proteção renal.

Resumo-Chave

Em pacientes com nefropatia por IgA e proteinúria significativa (>500 mg/dia) ou doença renal crônica, a primeira linha de tratamento para retardar a progressão da doença e reduzir a proteinúria é o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana.

Contexto Educacional

A nefropatia por IgA é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada pelo depósito de imunocomplexos contendo IgA nos mesângios renais. Embora o curso clínico seja variável, uma parcela significativa dos pacientes pode evoluir para doença renal crônica (DRC) e doença renal terminal, especialmente aqueles com proteinúria persistente e hipertensão arterial. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para preservar a função renal. O tratamento da nefropatia por IgA visa principalmente controlar a pressão arterial e reduzir a proteinúria, que são os principais fatores de risco para a progressão da doença renal. A pedra angular do tratamento é o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), utilizando inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana. Estes medicamentos são indicados para pacientes com proteinúria acima de 500 mg/dia, mesmo na ausência de hipertensão, devido aos seus efeitos antiproteinúricos e nefroprotetores. Em casos de proteinúria nefrótica persistente ou doença rapidamente progressiva, a terapia imunossupressora (como corticosteroides, micofenolato mofetil ou ciclosporina) pode ser considerada, mas sempre após a otimização do bloqueio do SRAA. O controle rigoroso da pressão arterial, a restrição de sódio na dieta e a monitorização da função renal e dos eletrólitos são componentes essenciais do manejo a longo prazo. A educação do paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e das modificações no estilo de vida é fundamental para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal indicação para o uso de bloqueadores do SRAA na nefropatia por IgA?

A principal indicação é a presença de proteinúria persistente, geralmente acima de 500 mg/dia, ou evidência de doença renal crônica. O bloqueio do SRAA com IECA ou BRA ajuda a reduzir a proteinúria, controlar a pressão arterial e retardar a progressão da doença renal.

Quando a terapia imunossupressora é considerada na nefropatia por IgA?

A terapia imunossupressora (corticosteroides, micofenolato mofetil) é geralmente considerada em casos de nefropatia por IgA com proteinúria nefrótica persistente (>3,5 g/dia) apesar do bloqueio otimizado do SRAA, ou em pacientes com doença rapidamente progressiva e biópsia renal com lesões agressivas (crescêntica).

Quais são os objetivos do tratamento da nefropatia por IgA?

Os objetivos incluem o controle da pressão arterial (geralmente <130/80 mmHg), a redução da proteinúria (idealmente <500 mg/dia), a estabilização da função renal e a prevenção da progressão para doença renal crônica terminal. A modificação do estilo de vida e o controle de comorbidades também são cruciais.

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