Trauma Esplênico: Quando o Tratamento Não Operatório Falha?

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um jovem recebeu uma joelhada em região de flanco esquerdo durante uma partida de futebol. Foi solicitado uma tomografia abdominal com contraste durante a avaliação inicial, que evidenciou uma lesão esplênica Grau II. O paciente está hemodinamicamente normal. Qual das afirmações abaixo contraindicaria o tratamento não operatório pela equipe do trauma:

Alternativas

  1. A) Queda de dois pontos na hematimetria; 
  2. B) Contusão pulmonar associada;
  3. C) Peritonite difusa;
  4. D) Piora do lactato sérico.

Pérola Clínica

Peritonite difusa em trauma abdominal = contraindicação absoluta ao tratamento não operatório, indica cirurgia.

Resumo-Chave

O tratamento não operatório (TNO) para lesões esplênicas é preferível em pacientes hemodinamicamente estáveis. No entanto, sinais de irritação peritoneal generalizada, como peritonite difusa, indicam sangramento ativo significativo ou lesão de víscera oca, tornando o TNO contraindicado e exigindo intervenção cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais fechados. Historicamente, a esplenectomia era a conduta padrão, mas o tratamento não operatório (TNO) tornou-se a abordagem preferencial em pacientes hemodinamicamente estáveis, visando preservar a função imunológica do baço. A classificação das lesões esplênicas pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma) auxilia na estratificação de risco e na decisão terapêutica. A fisiopatologia do trauma esplênico envolve o impacto direto ou indireto que causa lacerações, hematomas ou avulsões do órgão. O TNO é baseado na capacidade do baço de cicatrizar espontaneamente e na estabilidade hemodinâmica do paciente. A monitorização rigorosa, incluindo exames de imagem seriados (TC), hemogramas e avaliação clínica, é essencial para identificar falhas do TNO. As contraindicações absolutas ao TNO incluem instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite difusa (sugerindo sangramento ativo ou lesão de víscera oca), e a presença de outras lesões abdominais que demandem laparotomia. Sinais como queda acentuada da hematimetria ou piora do lactato sérico podem indicar instabilidade oculta e a necessidade de reavaliação da conduta, mas a peritonite difusa é um sinal claro de que a intervenção cirúrgica é imperativa para salvar a vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento não operatório (TNO) de lesões esplênicas?

Os critérios para TNO incluem estabilidade hemodinâmica do paciente, ausência de sinais de peritonite difusa, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia e disponibilidade de monitoramento intensivo com exames de imagem seriados.

Por que a peritonite difusa contraindica o TNO em trauma esplênico?

A peritonite difusa indica irritação peritoneal generalizada, que pode ser causada por sangramento intra-abdominal maciço e contínuo ou por perfuração de víscera oca. Ambas as situações exigem intervenção cirúrgica imediata para controle da fonte do sangramento ou reparo da perfuração, sendo o TNO contraindicado.

Quais outros sinais indicam falha do TNO em lesões esplênicas?

Outros sinais de falha do TNO incluem instabilidade hemodinâmica persistente ou recorrente, necessidade crescente de transfusões sanguíneas, expansão significativa do hematoma esplênico em exames de imagem de controle e deterioração clínica do paciente.

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