FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Um jovem recebeu uma joelhada em região de flanco esquerdo durante uma partida de futebol. Foi solicitado uma tomografia abdominal com contraste durante a avaliação inicial, que evidenciou uma lesão esplênica Grau II. O paciente está hemodinamicamente normal. Qual das afirmações abaixo contraindicaria o tratamento não operatório pela equipe do trauma:
Peritonite difusa em trauma abdominal = contraindicação absoluta ao tratamento não operatório, indica cirurgia.
O tratamento não operatório (TNO) para lesões esplênicas é preferível em pacientes hemodinamicamente estáveis. No entanto, sinais de irritação peritoneal generalizada, como peritonite difusa, indicam sangramento ativo significativo ou lesão de víscera oca, tornando o TNO contraindicado e exigindo intervenção cirúrgica imediata.
O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais fechados. Historicamente, a esplenectomia era a conduta padrão, mas o tratamento não operatório (TNO) tornou-se a abordagem preferencial em pacientes hemodinamicamente estáveis, visando preservar a função imunológica do baço. A classificação das lesões esplênicas pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma) auxilia na estratificação de risco e na decisão terapêutica. A fisiopatologia do trauma esplênico envolve o impacto direto ou indireto que causa lacerações, hematomas ou avulsões do órgão. O TNO é baseado na capacidade do baço de cicatrizar espontaneamente e na estabilidade hemodinâmica do paciente. A monitorização rigorosa, incluindo exames de imagem seriados (TC), hemogramas e avaliação clínica, é essencial para identificar falhas do TNO. As contraindicações absolutas ao TNO incluem instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite difusa (sugerindo sangramento ativo ou lesão de víscera oca), e a presença de outras lesões abdominais que demandem laparotomia. Sinais como queda acentuada da hematimetria ou piora do lactato sérico podem indicar instabilidade oculta e a necessidade de reavaliação da conduta, mas a peritonite difusa é um sinal claro de que a intervenção cirúrgica é imperativa para salvar a vida do paciente.
Os critérios para TNO incluem estabilidade hemodinâmica do paciente, ausência de sinais de peritonite difusa, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia e disponibilidade de monitoramento intensivo com exames de imagem seriados.
A peritonite difusa indica irritação peritoneal generalizada, que pode ser causada por sangramento intra-abdominal maciço e contínuo ou por perfuração de víscera oca. Ambas as situações exigem intervenção cirúrgica imediata para controle da fonte do sangramento ou reparo da perfuração, sendo o TNO contraindicado.
Outros sinais de falha do TNO incluem instabilidade hemodinâmica persistente ou recorrente, necessidade crescente de transfusões sanguíneas, expansão significativa do hematoma esplênico em exames de imagem de controle e deterioração clínica do paciente.
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