Trauma Esplênico: TNO e Embolização para Residentes

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2022

Enunciado

Com relação ao tratamento não operatório do trauma esplênico, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Até a década de 1980, as lesões esplênicas eram rotineiramente tratadas com esplenectomia. Atualmente é consenso que todo paciente hemodinamicamente estável pode inicialmente receber tratamento não operatório, desde que disponível no serviço cirurgiões tempo integral, banco de sangue, métodos de imagem como tomografia e unidade de terapia intensiva.
  2. B) São fatores preditivos de falha do tratamento não operatório: lesões esplênicas de alto grau, idade maior de 55 anos, Injury Severity Score (ISS) maior que 25, grande volume de hemoperitoneo, transfusões de concentrado de hemácias e quedas dos níveis hematimétricos.
  3. C) A arteriografia para embolização esplênica não tem sido considerada como uma ferramenta para diminuir os casos de falha do tratamento não operatório devido suas complicações como infarto esplênico, abcesso e déficit imunológico. 
  4. D) A asplenia é uma condição associada a risco de infecção fulminante por germes encapsulados sendo indicada vacinação contra pneumococo, haemophilus influenzae tipo B e meningococo.

Pérola Clínica

TNO trauma esplênico: hemodinamicamente estável + recursos; embolização é ferramenta para reduzir falha e preservar baço.

Resumo-Chave

O tratamento não operatório (TNO) do trauma esplênico é o padrão ouro para pacientes estáveis, mas requer infraestrutura adequada. A embolização esplênica é uma intervenção importante para reduzir a falha do TNO, especialmente em lesões de alto grau ou com sangramento ativo, apesar dos riscos inerentes, visando a preservação do órgão.

Contexto Educacional

O tratamento não operatório (TNO) do trauma esplênico tornou-se o padrão ouro para pacientes hemodinamicamente estáveis, representando uma mudança significativa em relação à prática anterior de esplenectomia rotineira. Essa abordagem visa preservar a função imunológica do baço, reduzindo o risco de sepse fulminante pós-esplenectomia. A decisão pelo TNO exige uma avaliação criteriosa do paciente, incluindo estabilidade hemodinâmica, ausência de outras lesões que demandem cirurgia e a disponibilidade de recursos hospitalares adequados, como tomografia computadorizada, banco de sangue e unidade de terapia intensiva. Apesar dos benefícios, o TNO não é isento de riscos de falha. Fatores como lesões esplênicas de alto grau (grau IV-V), idade avançada (>55 anos), alto Injury Severity Score (ISS > 25), grande volume de hemoperitônio e necessidade de transfusões sanguíneas significativas são preditores de insucesso. Nesses casos, a arteriografia com embolização esplênica surge como uma ferramenta valiosa. Ela permite oclusão seletiva de vasos sangrantes ou pseudoaneurismas, aumentando as chances de sucesso do TNO e diminuindo a necessidade de cirurgia. É crucial que os residentes compreendam que, embora a embolização possa ter complicações (infarto esplênico, abscesso), seus benefícios na preservação do baço e na redução da morbidade da esplenectomia geralmente superam os riscos em pacientes selecionados. A asplenia, seja cirúrgica ou funcional, confere um risco aumentado de infecções fulminantes por germes encapsulados (pneumococo, meningococo, Haemophilus influenzae tipo B), tornando a vacinação profilática uma medida essencial para esses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar o tratamento não operatório (TNO) no trauma esplênico?

O TNO é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem outras indicações cirúrgicas abdominais, e com disponibilidade de recursos como cirurgiões, banco de sangue, tomografia e unidade de terapia intensiva para monitorização contínua.

Quando a embolização esplênica é considerada no manejo do trauma esplênico?

A embolização esplênica é considerada para pacientes com lesões de alto grau, sangramento ativo (extravasamento de contraste na TC) ou pseudoaneurismas, como uma estratégia para aumentar a taxa de sucesso do TNO e evitar a esplenectomia.

Quais são os principais fatores preditivos de falha do tratamento não operatório do trauma esplênico?

Fatores como lesões esplênicas de alto grau (IV-V), idade maior de 55 anos, Injury Severity Score (ISS) maior que 25, grande volume de hemoperitônio e necessidade de múltiplas transfusões são preditores de falha do TNO.

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