Trauma Abdominal Fechado: Manejo da Lesão Hepática

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 35 anos de idade foi atropelado e levado ao pronto-socorro inconsciente e já intubado. Na chegada: pulso: 100 bpm; PA: 120 × 80 mmHg. Os pulsos são cheios. Não tem sinais externos significativos de trauma. Não há suspeita clínica de fraturas. A tomografia de corpo inteiro não mostra lesões intracranianas nem no tórax. No abdômen, mostra lesão hepática grau III, com líquido livre peri-hepático e na pelve. As condições hemodinâmicas se mantêm. Melhor conduta em relação ao trauma abdominal:

Alternativas

  1. A) Laparoscopia, para afastar lesão de alça intestinal.
  2. B) Tratamento não operatório.
  3. C) Laparotomia, com correção da lesão hepática e drenagem.
  4. D) Arteriografia.

Pérola Clínica

Trauma abdominal fechado com lesão hepática e paciente hemodinamicamente estável → tratamento não operatório.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma abdominal fechado e lesão de órgão sólido (como o fígado), a estabilidade hemodinâmica é o principal critério para optar pelo tratamento não operatório, mesmo na presença de líquido livre. A laparotomia é reservada para instabilidade hemodinâmica ou sinais de peritonite.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade, e a lesão hepática é uma das mais frequentes lesões de órgãos sólidos. A abordagem inicial segue os princípios do ATLS, focando na estabilização hemodinâmica e na identificação de lesões com risco de vida. A decisão entre tratamento operatório e não operatório é crucial. Pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite ou lesão de víscera oca, são candidatos ideais para o manejo conservador, mesmo com lesões hepáticas de graus mais elevados e presença de líquido livre. A tomografia computadorizada é fundamental para o estadiamento da lesão e acompanhamento. O tratamento não operatório exige monitorização intensiva, controle da dor e exames de imagem seriados. Complicações como sangramento tardio ou formação de biloma podem ocorrer, mas a taxa de sucesso é alta. A laparotomia é reservada para instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite ou falha do tratamento conservador.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento não operatório em trauma abdominal fechado?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de peritonite, ausência de lesão de víscera oca suspeita e lesões de órgãos sólidos que podem ser manejadas conservadoramente, como lesões hepáticas e esplênicas.

Quando a laparotomia é indicada em lesões hepáticas traumáticas?

A laparotomia é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, sinais de peritonite, evisceração ou lesões que não podem ser controladas por métodos não operatórios, como sangramento ativo contínuo.

Qual a importância da estabilidade hemodinâmica no manejo do trauma abdominal?

A estabilidade hemodinâmica é o pilar da decisão de tratamento no trauma abdominal. Pacientes estáveis permitem uma avaliação mais detalhada e a opção por tratamento não operatório, reduzindo a morbidade associada a cirurgias desnecessárias.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo