USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2019
Mulher de 24 anos, vítima de atropelamento por motocicleta, é admitida em centro hospitalar de trauma. Encontra-se com via aérea pérvia, murmúrios vesiculares presentes e simétricos, frequência cardíaca 90 bpm, pressão arterial 115 x 75 mmHg, tempo de enchimento capilar normal, consciente, orientada, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Dor abdominal em flanco e hipocôndrio esquerdos. Realizada tomografia de abdome, demonstrada a seguir. As demais fases do exame não trouxeram informações adicionais. Qual a conduta?
Trauma abdominal fechado com estabilidade hemodinâmica e lesão esplênica isolada → Tratamento não operatório (TNO) é a conduta padrão.
Em pacientes com trauma abdominal fechado, hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite ou outras lesões que exijam cirurgia imediata, o tratamento não operatório da lesão esplênica é a conduta de escolha, especialmente em jovens, para preservar o órgão e sua função imunológica.
O manejo do trauma abdominal fechado evoluiu significativamente, com uma crescente preferência pelo tratamento não operatório (TNO) em pacientes selecionados. A lesão esplênica é uma das lesões de órgão sólido mais comuns nesse contexto. A decisão entre TNO e intervenção cirúrgica é guiada principalmente pela estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes com trauma abdominal fechado que estão hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e sem outras lesões que demandem laparotomia imediata, são candidatos ideais para o TNO da lesão esplênica. A tomografia computadorizada de abdome com contraste é essencial para diagnosticar a lesão, graduá-la e excluir outras lesões significativas. O TNO visa preservar o baço, um órgão com importante função imunológica, especialmente em pacientes jovens. Durante o TNO, o paciente deve ser monitorado de perto em ambiente hospitalar, com avaliações seriadas do estado hemodinâmico, exames físicos abdominais e hemogramas. A falha do TNO, indicada por instabilidade hemodinâmica persistente, queda significativa do hematócrito ou sinais de peritonite, requer conversão para laparotomia. Residentes devem dominar os critérios de seleção e o protocolo de monitoramento para o TNO de lesões esplênicas.
Os critérios para o tratamento não operatório (TNO) de lesão esplênica incluem estabilidade hemodinâmica persistente, ausência de sinais de peritonite, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia e, idealmente, a capacidade de monitoramento intensivo e disponibilidade de cirurgia de emergência.
A tomografia de abdome com contraste é o exame padrão-ouro para diagnosticar e graduar lesões de órgãos sólidos no trauma abdominal, incluindo o baço. Ela permite avaliar a extensão da lesão, a presença de sangramento ativo e outras lesões associadas, auxiliando na decisão entre TNO e cirurgia.
Os riscos do tratamento não operatório incluem falha do TNO (necessidade de cirurgia tardia por sangramento contínuo ou instabilidade), sangramento tardio e, raramente, formação de pseudoaneurismas ou fístulas. Por isso, é crucial um monitoramento rigoroso do paciente.
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