SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem de 52 anos é atendido na UBS em consulta de rotina e manifesta o desejo de discutir a obesidade. Ele controla o peso desde criança e lembra-se de ter feito sua primeira dieta aos 10 anos. O menor peso na idade adulta foi de 91 kg, e o mais alto de 139 kg. Relata ter ganhado e perdido pelo menos 25 kg em várias ocasiões ao longo da vida. O peso atual é 110 kg. Refere que tem reduzido diligentemente a ingestão calórica e estima consumir cerca de 1.800 kcal por dia; passeia com o cachorro várias vezes por semana. Ele está mantendo seu peso, mas deseja perder mais e mantê-lo a longo prazo. Não há uso de medicamento. Ao exame físico: pressão arterial: 120x85 mmHg; altura: 175 cm; peso: 110 kg; a obesidade está distribuída preferencialmente na parte inferior do corpo; não há estigmas de hipercortisolismo. Exames séricos atuais: glicemia de jejum: 90 mg/dL; perfil da tireoide: normal. O gasto energético basal estimado é de 1.940 kcal/dia. Medidas dietéticas e de mudança de hábitos são iniciadas. Constitui a próxima intervenção adicional de maior utilidade a ser recomendada para esse paciente atingir seus objetivos de perda de peso:
Manutenção do peso a longo prazo exige ↑ atividade física (≥ 200-300 min/semana) para compensar adaptação metabólica.
O paciente apresenta um platô de peso devido à adaptação metabólica. Para superar a redução do gasto energético e manter a perda, o aumento do volume de exercício é a intervenção mais eficaz.
O tratamento da obesidade é complexo devido à 'memória metabólica' e à termogênese adaptativa. Quando um paciente perde peso, seu gasto energético basal cai mais do que o esperado apenas pela perda de massa, tornando a manutenção um desafio. A atividade física atua não apenas no gasto calórico direto, mas na regulação do apetite e na preservação da taxa metabólica basal. Estudos mostram que o volume de exercício é o fator isolado mais importante para evitar o efeito sanfona.
Para indivíduos que perderam peso e desejam mantê-lo, as diretrizes sugerem um volume maior de atividade física do que a população geral, frequentemente entre 200 a 300 minutos de atividade moderada por semana. Isso ajuda a neutralizar a termogênese adaptativa, onde o corpo reduz o gasto energético basal após a perda de peso, facilitando o reganho.
A restrição calórica crônica induz adaptações hormonais (redução de leptina, aumento de grelina) e metabólicas (redução da taxa metabólica basal). Sem o estímulo do exercício para preservar a massa magra e aumentar o gasto total, o paciente atinge um platô onde a ingestão iguala o novo gasto reduzido, impedindo perdas adicionais.
A cirurgia bariátrica é indicada para IMC ≥ 40 kg/m² ou ≥ 35 kg/m² com comorbidades, após falha do tratamento clínico otimizado. No caso apresentado, o paciente ainda possui margem para otimização do estilo de vida (exercício) e não apresenta comorbidades graves imediatas descritas que exijam urgência cirúrgica.
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