Osteoartrite de Joelho: Tratamento e Conduta em Idosos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015

Enunciado

Homem de 70 anos de idade, tabagista e etilista apresentando dor em articulação de joelho direito há um ano com piora à deambulação intensa e se queixa muitas vezes de dor no joelho ao se levantar de uma cadeira, com melhora após alguns passos. Procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) para investigação diagnóstica. Exames complementares normais.Qual é o tratamento medicamentoso de primeira escolha e qual classe de medicamento seria de contraindicação relativa?O mesmo paciente, após quatro anos de exacerbação do quadro, evoluiu com dificuldade à deambulação aos pequenos esforços, está em uso de morfina intermitente com melhora álgica parcial e com dor ao repouso. Qual seria a melhor conduta?

Alternativas

Pérola Clínica

Osteoartrite joelho: 1ª escolha = Paracetamol. AINEs contraindicados em idosos/comorbidades. Dor ao repouso/falha clínica = Artroplastia.

Resumo-Chave

Para osteoartrite de joelho, o paracetamol é a primeira escolha medicamentosa devido ao perfil de segurança. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devem ser usados com cautela em idosos, tabagistas e etilistas devido aos riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Em casos avançados com dor ao repouso e falha do tratamento conservador, a artroplastia total de joelho é a conduta mais indicada.

Contexto Educacional

A osteoartrite (OA) de joelho, ou gonartrose, é uma doença degenerativa crônica que afeta a cartilagem articular, levando a dor, rigidez e perda de função. É uma das principais causas de dor crônica em idosos, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e exame físico, e os exames complementares, como radiografias, podem mostrar estreitamento do espaço articular e osteófitos, mas são normais em fases iniciais. O tratamento da OA visa aliviar a dor, melhorar a função e retardar a progressão da doença. Inicialmente, medidas não farmacológicas como exercícios, perda de peso e fisioterapia são cruciais. No tratamento medicamentoso, o paracetamol é a primeira escolha devido ao seu perfil de segurança. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados, mas com cautela, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades (doença renal, cardiovascular, úlcera péptica), devido aos riscos de efeitos adversos. A escolha deve priorizar AINEs tópicos ou o uso de AINEs orais por curtos períodos e na menor dose eficaz. Em casos de doença avançada, onde a dor é refratária ao tratamento conservador, há dor ao repouso e limitação funcional severa, a artroplastia total de joelho (substituição da articulação) é a conduta mais eficaz para restaurar a função e aliviar a dor. É fundamental que o médico residente saiba estratificar o paciente e oferecer a melhor opção terapêutica em cada estágio da doença, considerando os riscos e benefícios de cada intervenção.

Perguntas Frequentes

Qual é o tratamento medicamentoso de primeira escolha para osteoartrite de joelho?

O tratamento medicamentoso de primeira escolha para osteoartrite de joelho é o paracetamol, devido ao seu bom perfil de segurança e eficácia no controle da dor leve a moderada. AINEs tópicos também podem ser considerados como primeira linha.

Quais classes de medicamentos são contraindicadas ou devem ser usadas com cautela em idosos com osteoartrite?

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são contraindicados ou devem ser usados com extrema cautela em idosos, especialmente aqueles com histórico de tabagismo, etilismo ou outras comorbidades, devido ao risco aumentado de eventos adversos gastrointestinais (sangramento), renais (insuficiência renal) e cardiovasculares (infarto, AVC).

Quando a cirurgia é indicada para osteoartrite de joelho?

A cirurgia, especificamente a artroplastia total de joelho, é indicada para pacientes com osteoartrite avançada que apresentam dor intensa e refratária ao tratamento conservador, dor ao repouso, limitação funcional significativa e impacto na qualidade de vida, mesmo após o uso de analgésicos potentes como a morfina.

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